28 julho 2011

Inesperado sol

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Os meninos o acompanharam e Augusto não se incomodou, gostava de vê-los ali nos seus passos, como se fossem filhos, passos silenciosos, talvez também os meninos tivessem compreendido que a morte sempre vem com silêncios que se jogam sobre todos por um momento, os passos se cadenciavam, os silêncios vem e logo se vão, ocupam seus lugares sem muita demora os barulhos e vozes da vida, pegou o carro, os meninos subiram na carroceria e então soltaram as palavras e os risos, apesar de um tanto contidos, mas já se afastavam do peso da morte de dona Estelita, o poder da morte parecia se esvair naqueles sorrisos, naquelas palavras leves que trocavam sobre o carro, sobre dirigir, riam de qualquer coisa, de um balanço maior do carro que se dirigia para onde o padre estava, o padre entrou na boleia e também ele se ia em semelhanças com os meninos nos sentimentos que deixava à vista por entre as feiçoes e os modos, parecia aliviado de alguma dor, cantava baixinho outra música, queria Augusto sentir a mesma coisa, não sentia, não era luto o que o cobria, era a urgência de ir embora que dobrava-se sobre seus olhos com nuances de cinzas e fumaças.

10 comentários:

Pedra do Sertão disse...

Só depois que li, é que percebi que é uma continuação...vou voltar para ler com calma1 Abraço

EDER RIBEIRO disse...

depois de uma longa ausência, fico prazeroso de lê-lo de novo, Dauri. Me tocou muito-lo de novo, Dauri. Me tocou muito a angustia da tia Augusta, este querer ir, porém, ir tb é uma morte qdo não se sabe para onde, contudo vem imbuído do renascimento. Abçs.

Eurico disse...

Voltam os poemas e o conto.
Voltamos às conversas, também?

Aguardo os "curvos ganchos das interrogações?"

Abraço fraterno.

Renato Ziggy disse...

essa paisagem em movimento, a subjetividade das personagens e a poesia articulada aos dois ficou de uma riqueza singular... bom regressar aqui! obrigado pela visita! grande abraço!

Renata Maria disse...

A morte e sua superação por uns e a carga melancólica pesando sobre os olhos do Outro.
Bela prosa poética. Volto para ler o que perdi.
Renata

Zezé da música disse...

Gostei! Você retornou no dia do meu desaniversário. Fiquei muito feliz. estava sentindo falta da sua fala aqui. Vou ler com mais calma agora, o capítulo. Obrigada, pois, sei que que andas muito atarefado. Eu também, mas gosto de ler sempre o que escreve. Abraço carinhoso. Zezé

Tatiana Moreira disse...

É sempre bom estar aqui e apreciar as suas criações. Histórias que possuem o poder de nos fazer voar na imaginação...
Um abraço carinhoso

Cleber disse...

Potência escrita.

Potência de vida.

C.

Maria Helena disse...

Vejo com nitidez os semblantes dos personagens, suas mutações de acordo com cada momento e sinto a poesia viva que você imprime em cada palavra.
Perfeito!
Abçs.

Tatiana Moreira disse...

Sua presença não passou despercebida pelo meu blog...
Está tudo bem?
Eu espero que sim!
Um abraço com carinho