28 março 2008

Fragmentos apócrifos - doc. de Paris

Dias do alto da tarde me aconselham a ir a Cafarnaum
procurar no lugar do encontro
o segundo atalho para a casa das palavras.

Dias do alto da tarde me ensinam a recorrer ao acervo
da casa que propõe uns poucos princípios esclarecedores
dos presentes, dos que vêm e dos outros dias.

Dias do alto da tarde me convidam a reverenciar
os estranhos que estiverem de saída na porta da casa
quando eu estiver passando por eles.

Dias do alto da tarde me estimulam a procurar
os vigias noturnos da casa e com eles distinguir
as variações de escuro na barra da madrugada.

Dias do alto da tarde me dobram para ver debaixo da pedra, da tinta
das letras o mesmo que em fogo me percorre todo o corpo do mundo
bomba arcano que me explode e não me mata.

Dias do bem longe da tarde me acordam e me ordenam
a deixar Cafarnaum antes que os pássaros voem das árvores
e retornar feliz para as minhas vidas de terra estradas comuns.

4 comentários:

Luiza disse...

Cafarnaum deve ter sido um lugar fantástico!
Lugar de falas preciosas, de palavras fartas de conhecimentos do alto!
Gosto deste fragmento...
"Feliz o que não insiste em ter razão, pois ninguém a tem ou todos a tem"
Bela viagem esta...melhor ainda é retornar feliz.

Abração.

Elcio Tuiribepi disse...

Olá Dauri, belas palavras, tenho um poema que batizei como Fragmentos, qualquer hora posto. Parabéns, um bom domingo para você.
Um abraço na alma.

Wellington Felix disse...

O poeta habita o silêncio sim!, mas trafega em mundos jamais imaginados e leva-nos nestas asas, trafegando entre o sonho e o amanhe(ser)
suas linhas nobre poeta, sempre me fazem chorar e crescer...
obrigado por mais um poema maravilhoso

Vieira Calado disse...

Um belo poema de que gostei, sem reservas.
Cumprimentos.