27 março 2008

Uma certa manhã

Quis abrir uma janela na tarde fechada,
espessa parede de não sei que casa
que me abrigava a escuridão.
Trabalhei, insistente e em tristeza,
por um longo tempo de estranho cálice
do qual o líquor e beleza eu não quis tomar.
Só me dei conta que morria quando
o amargor dos olhos me escurecia também
os pés, o fígado, os rins, o coração.
Morria e lutava contra a vida que me vivia daquele jeito,
o único que podia, naquela tarde fechada.
Já era tempo de ser noite e eu louco
queria o absurdo com marretadas e sangue
abrir a janela de dentro pra fora
quando o sol o fará de lá pra cá,
suavemente, numa certa manhã.

6 comentários:

Luci disse...

Muito denso isso...
"...lutava contra a vida que vivia daquele jeito..."
Pra mim isso surtiu como querer viver. Viver outra vida.

Bjo,

Luci:)))

Luiza disse...

Tem dias que realmente forçamos a barra e ficamos cego diante de situações, insistentes, intrépidos em teimosia!
Enquanto seria mais fácil simplesmente acreditar e esperar... tem coisas que não da para esperar.
Tenho procurado essa medida, me atropelo...nos últimos dias tenho esperado o sol nascer!
Tem dias que vejo, em outros nublados enm tanto.

Luiza disse...

Dauri!
Esse meu teclado novo é o pior que já tive...duro demais! Que nem a vida às vezes...ele me atropelou!
Como estava dizendo:
Tem dias que espero e vejo o sol nascer, em outros nublados nem tanto!
Desculpa a repetição.

Abração!

Elcio Tuiribepi disse...

Oi Dauri, deixei um recado lá no blog, pode ser que te interesse...ou não...como diz "Caetano"...um abraço

Luis Eustáquio Soares disse...

salve, poeta, quando o sol o fará, marretada de luzes, nas clareiras obscuras de nossas intimidades inamovéis, tornando-as todo o aberto das desmedidas e das bordas de ser e de estar. belo poema.
meu abraço,
luis de la mancha.

eder ribeiro disse...

Querido dauri agradeço pela visita, vim aqui para a retribuiçao e me dou de cara com esta obra prima. Qualquer palavra a mais que eu pudesse dizer não falaria do quão estupefato estou, por isso, para ti, aplausos. Abçs.