31 março 2008

Um fruto doce possível

Haveria um modo de fazer das minhas palavras
de frutas texturas finas, aromas e sabores para ti,
sem a ansiedade que me escorre na água
entre os seixos molhados da fonte na montanha,
- minha intenção - e o encontro com as raízes
persistentes no pomar procurando o córrego - meu coração?
Levanto a pergunta como estandarte de entrega
e me disponho a perder minhas razões para o encontro
onde nossos braços serão laços de calor e afeição
mesmo que, a princípio formalmente estendidos
num aperto de mão, nos mantenham à distância.
Sei que estamos afetados pelos rancores, desencontros
e dores que nos infligimos nos últimos tempos.
Agora, chega a flor que se abre atrasada, eu sei,
mas ainda assim anuncia um fruto doce possível.
Vejo esta mesma florada no pomar dos teus olhos.
Não desisti. Acredita-me! Trago-te, trago-me.

11 comentários:

Loba disse...

braços que são laços, palavras que são texturas de afeto, frutos que se anunciam em floradas... não há como haver desencontro.
poesia da maior qualidade!!!
beijocas

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Dauri querido
É triste quando o tempo entra em descompasso... mas o que fazer? - Poesia! (rs)
Estou partindo quinta, assim que der dou notícias.
beijocas

Mike disse...

Dauri...
os corpos se tocando e se cruzando até formar um nó górdio, que de tão essencial/puro parece algo natural, puro e simples com as raízes quentes no pomar e a água da fonte da montanha. Este mesmo nó que por vezes parece se desfazer, mas sendo ele górdio, volta naturalmente a se emaranhar.

Fernando Rozano disse...

a montanha e seus segredos, a água e sus densidade, a vida em cada palavra. o tempo, é apenas uma contagem sem pressa para o viver ser mais intenso. abraços.

Eurico disse...

Dauri, grato pela visita e muito impressionado com a qualidade de teu blog. Esses Fragmentos Apócrifos são versos do quilate de um Jorge de Lima, em Invenção de Orfeu. Belíssimos!!!

alua.estrelas disse...

"A florada no pomar dos teus olhos... Trago-te, trago-me". Lindo. De forma simples e ao mesmo tempo riquíssima, traz muito daquilo que nós todos carregamos em nós.
Parabéns pelo blog.

Espartilho de Eme disse...

Visitei-te pelo balaio vermelho. Bela prosa e doces versos. Saudações poéticas de Maria Maria

Espartilho de Eme disse...

Obrigada pela visita!!! Ah, Gargalheiras � uma reserva de �gua doce que abastece a regi�o. Como o Rio Grande do Norte � seco porque as chuvas demoram muito, a sangria de um a�ude desse porte como o Gargalheiras � motivo de alegria para toda a regi�o. O sentimento de felicidade � coletivo, n�o � interessante? Aqui � assim. Um grande abra�o, Maria Maria

Rico B. disse...

Gosto do deslizar de palavras. Gosto da singeleza e da sensação de que tudo pode ser poesia. Obrigado pela visita.

Plinio Uhl disse...

Dauri,

desculpe o sumiço. estava estudando para uma prova, q aconteceu no último dom. já estava sentindo falta.

rapaz, seu texto me trouxe tantas coisas à mente, lembranças até, que nem sei o q escrever... mas foi o centro q me chamou mais a atenção: renunciar à razão em nome de um novo encontro. é uma situação que reúne uma multiplicidade de sentimentos e q revivi em suas palavras.

Abs.

Luci disse...

Que lindo, colorido, romântico, poético. Fiquei emcantada, principalmente com o final...

"Agora, chega a flor que se abre atrasada, eu sei,
mas ainda assim anuncia um fruto doce possível.
Vejo esta mesma florada no pomar dos teus olhos.
Não desisti. Acredita-me! Trago-te, trago-me."

Bravo!

Bjo,

Luci:)))