11 outubro 2011

Múltiplas mãos dançam suas sombras em cada letra que deixo nestes papiros

Estou rodando o caleidoscópio que é a vida e olhando. Olhando e vendo tempos em meus escritos... e resistências. É como se eu dissesse, não sou consumidor de palavras, sou vivo o bastante para não ser apenas consumidor, leitor; sou marcado por tantos tempos que não posso ser apenas consumidor, sou criador. Há em nós um impulso intempestivo, um desejo produtivo, um anseio de poesia. Mas bem sei, o que criamos, criamos em parcerias com o tempo, em parcerias entre nós – algumas bem disfarçadas - e em outras mil parcerias. Múltiplas mãos dançam suas sombras em cada letra que deixo nestes papiros luminosos à minha frente. Sou, somos, a mestiçagem de tempos, de dores e poesias, de vivos e mortos. Somos uma mistura ainda não muito bem mexida entre os sulcos na terra rasgada pelo arado e as avenidas barulhentas, entre a carroça e o satélite, entre tinteiros e  bytes. Estamos na interseção. Bem... não sei. Estou apenas rodando o caleidoscópio.

3 comentários:

Paula Barros disse...

Rode o caleidoscópio do tempo, das lembranças, misture partículas de vidas, e forme imagens em poesias.

EDER RIBEIRO disse...

e é devido esse acúmulo do tempo, dessa remodelagem de nós mesmo por tentar absorver desse tempo vivido o que ainda de nós ficou disperso que nos completamos e não nós sintimos cheios. Abçs.

Ilaine disse...

Ah, que pessoas maravilhosas aqui escrevem: Dauri, Paula e Eder!

Admirada estou... E que bom que estão em meu caminho.

Anseio de poesia- Dauri, isto é belo. Sim, és criador!

"Múltiplas mãos dançam suas sombras em cada letra que deixo nestes papiros luminosos à minha frente."

Abraço forte... e perdoe a demora!