17 setembro 2011


Amigos, vou retomar a atualização do blog. Deixo por enquanto o inesperado sol e passo a publicar fragmentos, escritas que se fazem nos intervalos, escritas que não me exigem maiores elaborações. Um prazer de um descanso, um sobrevoo, outro pensamento, qualquer coisa assim.


Um olhar que diz

As lembranças... suavemente afirmam. Afirmam: o presente não é tudo. Um arrozal de cachos maduros em dia de sol é uma lembrança. Cortar a flor dourada, fazer os feixes, sentir o cheiro do azul do céu em cada cacho encurvado de grãos. O presente é, mas as lembranças fazem o presente, este átimo de tempo, ser vagaroso, delicado, bonito. Se assim não for, o presente será apenas tensão, passagem de ar em espaço estreito, assovio, apito, aviso do fim. Tu não sabes o que falas. Talvez, respondo. O que pensas do agora? Penso que vale um olhar, de amor, amor também para quando o agora já não for mais presente, for passado. Um olhar que diz, vai, não te prendo, se teu caminho é ir, que seja assim, vai e me leva, e me arremessa de lá, do lugar das coisas guardadas, recordadas, me arremessa para a vida.

2 comentários:

EDER RIBEIRO disse...

O sentido da vida só se dá através da liberdade, sem as correntes do passado, sem a fixação de um futuro imaginado. Viver o agora, sempre. Abçs, caro Dauri.

Paula Barros disse...

É sempre tão profundo o que você escreve, que preciso ler muitas vezes, que preciso voltar.

E é sempre tão belo o todo, e uma das frases pula e me abraça a emoção.
"sentir o cheiro do azul do céu em cada cacho encurvado de grãos"

abraço!