19 maio 2010

Inesperado sol

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Senhor gerente, gritavam batento na porta num misto de obrigação e diversão, mas ele não ouvia os meninos. Senhor gerente, senhor gerente, continuaram entrecortando o coro monótodo com risos festivos, até que se deu conta de que aquele senhor gerente era com ele, era por ele que os meninos chamavam. Senhor gerente, disse pra si mesmo em voz baixa aceitando o chamado, indo até à janela. Lá estavam à porta os quatro meninos, olhou-os de cima. Perguntavam, a mando, se ele queria almoçar, e se desejava que o almoço fosse servido na casa do gerente. Já estão limpando a casa para o senhor, disseram. Traga o almoço aqui mesmo, respondeu de imediato, depois vejo estas outras coisas. Admirou-se da presteza em responder como se não houvesse nenhuma dúvida e como se aquela fosse sempre sua voz. Senhor gerente, repetiu, se afastando da janela, sentando-se defronte à mesa. Ali estava do outro lado a cadeira do gerente, vazia, e ele disse com um tom irônico e raivoso, senhor gerente, o que o senhor me diz?

Não havia o que dizer, muito menos para si mesmo, no entanto esperava um pensamento que pudesse ser anunciador de uma outra saída que não fosse só fugir. Decidiu esperar o tal almoço e depois tomar o carro e seguir sabe-se lá por quais estradas.

13 comentários:

Jacinta Dantas disse...

Vou por aqui, acompanhando esse que ainda demora a entrar no personagem de ser gerente. De onde ele vem? quais são suas metas? Está fugindo? de quem?

Ah!
melhor mesmo é aguardar o desenrolar da história.
Então, aguardo.

beijo

cf disse...

Ei meu caro

que encontro feliz!

Gosto da possibilidade de ler pelos
meios...

acesso sua escritura, agora j'a tarde da noite
e ainda encontro inesperado sol!

Lembra-me que a vida corre... a saber por quais estradas!!!! 'E bom um certo mist'erio!

C'est la vie!!!!

Mai disse...

Hum...
Esperarei que ele se lembre daquilo que virá.
Sabe, Dauri, esses dias estava justamente pensando que não deve haver pressa naquilo que ainda está por ser escrito, há palavras e lembranças que nos chegam quando sabemos esperar. Inversamente, o não lembrar deve ser uma agonia prá quem possui a consciência do esquecimento. Há quem até disto não lembra.

Muito boa a surpresa dessa espécie de amnésia.

um beijo

Elcio Tuiribepi disse...

Olá Dauri...obrigado pela presença semre marcante m meu blog, com palavras pertinentes...
Sobre esqucimentos, sou tão esquecido e distraido jpá m prejudiqei tanto com isso..rs
Sobre outros esquecimentos também as vezes acho bom te-los m mim...as vezes perdoar é esquecer...ou não...as vezes perdoamos , mas não esquecemos...será qu pe perdão verdadeiro? Bom...queri te perguntar uma coisa...Você aceitaria ser entrevistado pelo nosso novo blo, o Espaço Aberto?
Pode me responder por e-mail se quiser, mas fique a vontade para aceitra ou não ok...a amizade continuara a mesma...
E a admiração também...Um abraço na alma...bom fim de semana

Mª Helena disse...

Leio e releio,visualizo o"gerente"e todos os seus gestos,mas não consegui ter intimidade com ele,ainda não o conheço.
Não sei o motivo dos meus comentários não terem aparecido e só aparecem quando os envio duas vezes.Também como você sabe,eu e o computador brigamos muito.
Abçs

tossan® disse...

Ufa, estou lendo desde o primeiro para te entender. Espero que me entendas. Estou gostando. Abraço

EDER RIBEIRO disse...

Para mim, a personagem incorporou o papel do gerente em um sonho ou num momento de delíro... Será isso mesmo, espero o próximo para saber. Abçs.

Games, Entertaiment, Hobby, disse...

aion Top 100 Private Server

Ava disse...

Lí o primeiro, mas já ví que preciso voltar e ler desde o começo...

Dauri, voce sempre tão cúmplice das palavras...

Adoro ler voce.


Beijos e boa semna para voce.

luis eustáquio disse...

o inesperado sol, dauri, a transbordar o impossivel, acontecimentos, imprevisíveis, no rosto pálido de nosso sequestrado cotidiano.
saudações,
de la mancha

Ilaine disse...

A fuga que se anuncia. A imagem do ambiente dança aos meus olhos, A personagem, porém, é silenciosa e, ao mesmo tempo, inquieta. Revela-se em sua solidão. É concentrada em seu eu, em sua existência ainda não definida. Assim eu sinto. Que surpresas nos guarda?

Abraço

Insana disse...

Linda a posatgem..
aa se nao fosse o sol a cada dia em mim.

Bjs
Insana

Oliver Pickwick disse...

Rapaz, O Último Porto virou romance. Dei um tempo no mundo de Matrix, e havia parado no capítulo 11. Hoje, li mais alguns, mas vai levar alguns dias para ler até o final.
Percebi que já começou outro. Vida longa aos folhetins! (na melhor acepção desta palavra, bem entendido?)

Um abraço!