09 novembro 2009

vertere seria ludo X

O peso de uma pedra
se dissipa (há uma chance)
na luz de um olhar.
Pégaso atravessa a tarde

em corpúsculos invisíveis.

Quem irá cavalgá-lo não
será a pergunta, mas
como abandonar-se ao seu voo,
pela densidade de cada coisa,

de cada dia. Não restará

da transparência um vidro estilhaçado,
o tédio. Há de ser (espero)
o dia comum um imenso livro
amarelo, o tratado da dança

e do canto, aberto na página que versa

sobre a teimosia deste jardim resseco
que naquela rosa se transubstancia.

13 comentários:

Dauri Batisti disse...

Vertere seria ludo, Horácio, Ars Poetica: misturar o sério ao divertimento

Juliano disse...

Ah, o tédio. Muito cai em suas armadilhas.!

Abraços Dauri

Márcio Ahimsa disse...

estou com algo de pedras em mim, reverbero toda palavra, uma calda escorrendo o corpo seco, algo de molhar o que é árido, as pernas doendo uma viagem de ficar o passeio para trás, a tábua fina fazendo companhia para para o portão sem taramelas...

Abraços.

paula barros disse...

(sorrisos) O jornalista não é famoso. É o grau de importância que damos a alguém ou algo que torna as situações boas ou ruins. (gostaria de escrever sobre isso)

Ou eu que sou boba. rsrsrs

Sabe qd queremos que aconteça algo e não esperamos naquele momento?

Me fez sorrir.

beijo

paula barros disse...

Um olhar que dissipa o peso de uma pedra. Imaginei esse olhar.

E transforma o dia comum um "o tratado da dança e do canto"

É para voar, é para voar....

Me lembrei quando a minha alma voa, rodopia, suspira, sonha..transformando os momentos do dia em belos momentos.

Cosmunicando disse...

vim nas asas de pégaso, agradecer sua mensagem ;)
beijos

Bia disse...

Confesso que fiquei muito surpresa ao te encontrar por aqui.
Sou de Cobilândia, nao sei se vai se lembrar de mim, mas eu nao esqueço.

Um beijo.

jorge disse...

Dauri, não consigo acompanhar a velocidade de seus escritos.
Gostei muito dessa nova série de poemas; vou tomar a liberdade de copiá-los para poder lê-los, de uma só vez.
Assistí uma palestra na qual Reinaldo Santos Neves se referia ao espírito criativo. Parece que eu me deparei com ele no primeiro poema dessa série.

Grande abraço

Memória de Elefante disse...

"Não restará
da transparência um vidro estilhaçado,
o tédio. Há de ser (espero)
o dia comum um imenso livro
amarelo, o tratado da dança
e do canto, aberto na página que versa
sobre a teimosia deste jardim resseco
que naquela rosa se transubstancia"

Gostei!
Um poema intenso e forte, uma página que merece ser lida !

Abraço

Abraço

Eurico disse...

Dauri, irmão querido,
estou em dias de recolhimento e paciência. As limitações do tratamento não me tem permitido ainda a concentração, nem mesmo a fruição para esse hábito blogueiro de que sinto tanta falta.
Os poemas se acotovelam à porta da alma, aguardando vir à luz. Tentarei, a custo, postar e deixar minha tribo espiritual sossegada, posto que, tenho a devida dose de estoicismo para essa travessia. Insone, vim te dar o amplexo carinhoso de irmão mais velho.

Estou quase curado.
Basta-me o tempo passar.

Paz e fraternidade!

De: Luiz Eurico de Melo Neto, teu irmão.

Germano Xavier disse...

Bebendo da pedraria inteira de João Cabral, poeta?

E tu dizes ainda que és poeta?
Que tu és então, poeta?

Continuemos, Dauri Jack.

Dauri Batisti disse...

Germano,

nunca li sistematicamente João Cabral. Li uma coisa ou outra, aqui e acolá. Na adolescência e jeventude li tanto os escritores do nordeste que o tema sertão- nordeste-etc não me atraiu mais. Não li, entanto, na época, João Cabral. Então tenho, por isso, esta dívida com as obras dele. Sei da sua grandeza, já até tentei, mas...
ainda não chegou a hora. Logo, quem sabe.

mundo azul disse...

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Seu poema se abre em leques de interpretações...Prefiro pensar que é um canto de esperança!


Gosto muito, mas, muito mesmo, do que você escreve...


Beijos de luz e o meu carinho!!!

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