05 novembro 2009

vertere seria ludo VI

O que vale no acúmulo
é o tesouro
que do monte foge.
Amontoar só vale

pelo riozinho que

por entre os montes corre.
Beber sua água,
correr por suas margens,
descer nas corredeiras

faz uma riqueza por

dentro, entre os amargos
de viver. Dá um estalo
de desprendimento
soltar do bambuzal

a poesia que jamais foi pega

pelas palavras que por aqui se acham,
ossos descobertos pelos ventos.

6 comentários:

Dauri Batisti disse...

Vertere seria ludo, Horácio, Ars Poetica: misturar o sério ao divertimento

Mai disse...

Ossos são sonoros, estalam e doem.
"...é no fim do dia que dói... pois que o dia é parte da gente...mas dói..."
Dauri Batisti

Vês, acabo de ler esse poema e abri o coments e o slide me trouxe de volta o que dói.
caramba uma mescla que eclode livremente - uma palavra que espirra e que se mostra feito um esqueleto sob areia fina, que o vento soprando revela.

Essa Palavra.
beijo vc.

Juliano disse...

Tesouro esse que são lembranças.!

Abraços Dauri

Márcio Ahimsa disse...

descobri os ossos desossados pelo vento é rir da melhor graça que a vida de pedra nos apresenta...

Abraços.

paula barros disse...

Dauri, que lindo seu comentário no blog da Vivian, sobre apego e desapego.

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Essas palavras, são muitas palavras, são cachoeiras de emoção que transbordam, que fazem o coração galopar, e a alma pular.

Essas palavras tem história, tem um pulsar de vida, e caminhar por elas é como pisar descalça na beira do mar.

beijo

Ava disse...

"...faz uma riqueza por
dentro, entre os amargos
de viver."

Sabe, como um todo, ou em doces pedaços, sua poesia penetra na alma... na imaginação...
Fechar os olhos e viajar por entre seus versos...
Aventura sem fim, afinal voce usa e abusa de seu poder de encantar com as palavras...


Beijo!