03 setembro 2009

II

Olhei para os caniços dançantes
nas margens do rio.
Entre um vento e outro
cruzei com o olhar
do escravo recém adquirido.

Ele me viu? Se me viu,
de que mundo me avistou,
e a que perigo me acenou
com os fachos daqueles faróis?

Voltei-me para a princesa
que comigo descia o Nilo.
Sua doçura e o sol que brilhava
em sua pele me aqueceram.
Mas ainda assim, o que eu queria?

Eu queria me acercar de escribas
e artistas, e com hieróglifos,
pedras e pigmentos traçar
nas páginas dos dias,
no verso e reverso das horas,
a beleza e a melancolia
de cada beira do Nilo.

Mesmo que tudo seja sem sentido
o que importa mais é o que faz
o pensamento fluir para o mar,
fertilizando os campos das margens
a cada extensão do olhar.

5 comentários:

paula barros disse...

Quem ri agora sou eu. Misturo tudo mesmo, e sinto, e imagino, e escrevo. E acho ótimo. E vou viajar (na vida real) já "sofrendo", porque quando viajo não consigo ler seu blog como gosto.

Eu volto.....

beijo

HSLO disse...

Sua escrita é perfeita...

abraços

Hugo

Rico B. disse...

Sempre acreditei no sentido interno da liberdade. Aquela que a gente sente e se questiona se é de "verdade", de tão distante dos anseios dos que estão fora e clamam por ela. Lindo texto.

Eurico disse...

Até os frágeis caniços se dobram aos ventos. Sua força está em reerguer-se quando passa a ventania...

Abraço fraterno.
Ainda em guar e na luta!

Extase disse...

como estas cara?