05 setembro 2009

III

As nuvens,
se cobrem o sol,
antes cobriram o céu,
no interior dos territórios do sul.

Esquece-se a promessa de festa
em dias de céu encoberto,
e canta-se (ou ouve-se)
como melodioso e triste
o rumor do barco singrando as águas.

Se o possível comerciante de fragrâncias
ainda desliza longe
descendo as águas do Nilo,
o encontro vai demorar.

Sendo o possível ainda impossível
algum deus foi que se intrometeu
no conducto do tempo, e desviou
dos seus eixos as asas das aves.

Os pântanos se tornam longos, longos,
silenciosos,
sem segredos bons
a se decifrar.

O ganso assado
perde o sabor, e a alegria
a bebida a mantem
por breve curva do rio.

Os barcos quase param.
Os pensamentos
na carência do perfume sobre a cabeça
se debatem em cordas
e espaços apertados, mesmo
que ao vento de tão largas paisagens .

3 comentários:

Eurico disse...

Importa também pensar que, nos pântanos silenciosos, pulsa a vida. No pântano, a vitória da vida é régia: lótus!

Abraço fra/terno.
(Estou em pleno exercício neurolingüístico, até nos comentários. Salve, Mai! rsrsrs)

Elcio Tuiribepi disse...

Olá Dauri, estava lendo aqui e acolá e seus issos ultrapassaram a marca de número 500, que alegria poder compartilhar este momento, façanha para poucos, isso é uma coisa que já comentewi com se não me engano com a Mai, e com a Paula nos comentários sobre a sua facilidade com as palavras...poeta ou não, poemas ou não...rsrs...seus issos impressionam pela forma, pelo jeito e pelo conteúdo...
Admiro teus issos...um abração nesta alma tão cheia de issos e aquilos, que eles possam estar sempre aflorando toda a magia que habita o teu ser...Valeuuuu...bom feriadão

Fabiano Mayrink disse...

Oi Dauri obrigado pela visita, sua presença é muito importante, parabens tambem pelo blog belas criaçoes abraços!