10 agosto 2009

Uma flor
é uma flor,
perfeita por ser
uma flor.

Cada flor é um sol
com outras cores,
o fogo desdobrado
em muitas manhãs.

Mas um poema
não é um poema; é
imperfeito por ser
um poema (de um não-poeta).

Cada poema é uma sombra,
cinzas palavras,
carvão e rabisco
de um sol que se pôs.

5 comentários:

Anônimo disse...

Sei que seu poema é poema e seu ser poeta é poeta, justamente por você não estar preso, limitado pelos contornos de um conceito que tenta afirmar o que é poeta. Seu dom exorbita conceitos...
Paz e bem.
Fraterno abraço!
Charles.

Mai disse...

Não sei o que dizer. Não sei.
Um beijo.

Germano Xavier disse...

Dauri Jack,

agora você me pegou de jeito, deu-me uma rasteira e me pôs a beijar a lona. Nocaute completo. O poema dispensa comentários. Fez-me lembrar o poema "Guardar", escrito por Antônio Cícero, pelo recurso utilizado na escrita.

Abraço sincero e admirativo.
Continuemos...

Eurico disse...

E a mim, faz-me lembrar do Alberto Caeiro. Aliás, ando a aproveitar a convalescença de uma cirurgia para reler sobre Pessoa. E vim aqui te reler.
Recordo aqui, de passagem, de um dístico do Angelus Silesius:

"a rosa não tem porquê, floresce porque floresce"

Venho aqui, amigo Dauri, e recebo essa lufada de poesia. Volto com o meu ser renovado.

Abraçamigo e fraterno.

Elaine Lemos disse...

Lembrou-me Alberto Caeiro com "Uma flor é uma flor".

Lindo como sempre. Faz-me bem passar aqui.

Amo.