11 julho 2009

Localizar palavras viajantes,
na velha casa de janelas altas
é estranha tarefa agora, jogo serio.

Sombras de um cão atravessam o vidro
e se projetam sobre meu coração.
Movo-me de lugar. A sombra pega
no meu pé.

Uma incomum e benéfica presença no vitral
entrelaça corpos e sonos nos quartos,
vários sonos, os meus inclusive,
aqueles que ainda hoje vou dormir.

A volta da sala, a curva da escada
coloca-me ao telefone
por onde ouço uivos, longe,
talvez onde o que se quebra
seja exatamente o que
se hesita em quebrar: o verso.

O que foi deixado para trás,
na casa forma paredes e rachaduras,
belos quadros, retratos
que escondem o endereço
das verdadeiras palavras,
as que viajaram. Faz tempo.

No quarto de costura, atrás, uma luz de prata
desfia um suprimento de sedas,
pensamentos lentos, lã, aconchego
com muitas letras, de alguem
que me deseja encontrar. Acho

que uma rosa no jardim cheio de matos
anda derramando seu perfume, me embriago,
na ponta de um lápis torto
por onde seguem poemas cambaleantes.
Não passei pela cozinha ainda, mas, por agora,
boa noite. (O relógio canta onze horas).

5 comentários:

Vivian disse...

"No quarto de costura, atrás,
uma luz de prata
desfia um suprimento de sedas,
pensamentos lentos, lã, aconchego
com muitas letras, de alguem
que me deseja encontrar."

aqui nesta passagem, minha
emoção criou uma imagem
da esperança,
sempre ela como alicerce
a nos sustentar nas orbes
das ilusões, tão necessárias
ilusões.

um beijo, querido lindo!

Opuntia disse...

Sempre que venho aqui, não hesito em fazer as malas e viajar com suas palavras. Elas são excelentes companhias!

Bjos

Germano Xavier disse...

Sempre primando pela qualidade dos versejos.

Grande abraço, Dauri Jack.
Continuemos...

Elcio Tuiribepi disse...

O verdadeiro endereço das palavras mora nas entrelinhas...
Fico aqui pensando...você tem uma facilidade enorme em lidar com as palavras...parabéns Dauri...
Um abraço na alma...bom domingo

paula barros disse...

A cozinha, sempre acho que lá é um lugar de muitas histórias, contadas, ouvidas, pensadas..,no calor das chamas, lágrimas misturadas no cheiro das cebolas, sangue nos cortes dos dedos...

E por falar em cozinha, lembro da sua série que tinha um menino na cozinha...e menino sempre nos conta belas histórias, a nossa criança que andava pela casa.

um beijo carioca.