07 maio 2009

O que dá na telha e nas feiras
(quinta-feira)

A sinceridade do que se diz aqui
é forjada no fogo, dobrada pelo ferro.
Mas é pouca. Do mais tudo é mentira.
Invenções reais de um coração brincalhão,
e de um mundo cão,
deixadas por aí, pelas estradas e feiras.
Pensando bem, as palavras que expoem
minhas sinceridades ficam ao lado
da estrada. Quintas sinceridades.

***

É a cerca, o mato, uma casa perdida,
uma pessoa estendendo a mão. Não se sabe,
daquela pessoa que acena, que caminhos faz,
que caminhos fez, que caminhos fará,
porquanto os caminhos são feitos dentro,
por dentro, em frágeis conduções.
O aceno de mão, sumindo, sumindo
é uma performance. A poesia
sugere e ensina que é, assim,
um modo verdadeiro de dizer amor.

***

O amor que na quinta se colhe
é representação do que escorre por
dentro do caule espinhoso e que
nunca será colhido. O que é
de dentro em parte vira, fora, rosa, gesto.
Joga a quinta aos meus olhos seus jogos,
e me pega. Tudo que falo é ficção, talvez
autoficção. Até os mais reais sentimentos.

4 comentários:

paula barros disse...

Lendo sobre caule, rosa, espinhos..sentimentos, emoções, pensamentos....reais, ficcionais, mais que reais...vida, caminhos...ser humano...

Me deu vontade de desfolhar, feito fazia quando criança, que tirava as folhas, depois tirava a pele do caule, esprimia as folhas para ver o sumo verde, ou as pétalas para fazer um suco vermelho...ver por dentro.

Queria ouvir...apenas ouvir a alma do ser.

Ser amiga, entende?

beijo

Eurico disse...

O poeta é um fingidor... não sei quantas vezes ouvi esse verso em tantas versões, e, hoje, vejo escapar das entrelinhas dessa quinta, a declaração tua de fingere...
Não há como escapar dos signos e significantes, não há como escapar dessa tensão, dessa re-tenção, dessa re-presentação...

Abraçamigo.

Avassaladora disse...

Dauri! As vezes tenho sentimentos tão estranhos ao ler vc...

Agora, por exemplo, a vontade que me dá é de comer, saborer, degustar, sorver, engolir, me fartar, me lambuzar com suas poesias...

Vc que é poeta, talvez saiba explicar tão estranho sentimento...rsrsrs

Beijos avassaladores!

Anônimo disse...

Ei... Poeta!

Não me contive em continuar invisível!
Que semana! Cheia de movimento, pleno processo de feitura.
Parabéns, tudo lindo, impecável, sacral!
Espero pela sexta.


Um abração

Luiza