16 abril 2009

II

Angustias difusas se derramam
pelas manhãs em vasilhas sem fundo.
Uma águia
desce o desfiladeiro
e volta com o olhar em fogo, o rio
era seco.
O deserto avança. Tenho sede.

Quando a chuva vier
a esperança esverdeará o vale
e a ribanceira.
A palavra fina, fio de espada, não
se quebrará, será o elo que liga
um gesto
de ternura a outro.

Falar aqui é quase
um perigo, um detonador
armado.
É uma pena ao vento.
No entanto, nada acontece.
Nada.
Muda tudo.

8 comentários:

tossan disse...

Amigo poeta Dauri, a tua poesia é fantástica, vc já percebeu que eu não sou muito bom como vcs para comentar. Mas posso dizer que gostei muito outra vez. Abraço amigo

Avassaladora disse...

Dauri, leio com um olhar ávido!
Sedento!
Vou sorvendo suas palavras, e me deliciando com cada uma...
Mas sempre fica algo que marca...

"Angustias difusas se derramam
pelas manhãs em vasilhas sem fundo."

Dauri, frase que me remete a uma imagem... imagem de algo que não acaba nunca!
Angustia que cai e vaza... e nunca cessa!

Poeta! O poder das palavras é algo impressionante!

Que admiração por essa sua bela escrita!


Beijos e carinhos!

paula barros disse...

"Tenho sede".

São tantas sedes
Que não são saciadas
E nas buscas
Muitas fomes nos comem
Mas a fonte cristalina
Para saciar as sedes e fomes
As buscas incessantes
Quero acreditar
Que esteja dentro de nós.

(as vezes quero comentar você, mas reflito a mim. Desculpa e obrigada)

Mas se me sinto assim, saiba, é porque suas palavras são belas, são intensas, é emoção.

beijo

JOICE WORM disse...

Hum...
Acho que a águia de fogo vai continuar com sede se desistir de procurar...
Muac!
(Esta poesia me fez ver um cenário... Genial!, Dauri)

Anônimo disse...

a espera e o esperançar de um dia futuro.
falar no agora é mesmo um perigo,mas pensamento materializa-se e segue o vento.
um dia ele jogará no colo do futuro.

beijo com cheiro

Germano Xavier disse...

Um nada que acontece e um mundo mudado em tudo. Imagem semada por quem sabe.

Abraço forte, Dauri.
Continuemos...

Gabriela Magnani disse...

Eu amo seus poemas, amo mesmo!

Mai disse...

Quando encontrei teu blog, li desde a mais antiga postagem e vim lendo e, lembro-me à época, tu me emocionavas demasiado com poemas das ruaas, jardins, teus 'issos'...

Agora novamente, sinto que as palavras me capturam a emoção...

Falas de uma aridez palavras que falam dos desertos do humano figurado em seres da natureza...

Cenário seco e um desejo de um amanhã verdejante.

O inóspito que sonha.

Lindo!

beijo,
Mai