03 fevereiro 2009

IV

À porta de alguma noite
refaço os olhos para as estrelas
e reconto minhas esperanças.
No umbral da casa do sol
levanto meu novo dia e somo
amor com amor, com mais amor,
com mais aqueles amores
que irei perder durante o dia.
Conta doida, eu sei.
Quantas maçãs!
Lindas maças verdes sobre a mesa
me contemplam e me revelam Adão
no meu olho, me divido homem,
me adiciono barro no espírito.
Perguntas e ansiedades escritas
nesses poemas, números
que adivinham tulipas ao relento,
poesias que não são minhas.

19 comentários:

ex-controlador de tráfego aéreo disse...

Oi Dauri!

Rapaz, que série bonita, ágil e cheia de imagens marcantes.

Parabéns, poeta!

Um abraço fraterno!!!

Sarah Vervloet. disse...

Muitas informações, meu caro! Poemas escondem nossas ansiedades, nosso jeito de encontrar uma saída para qualquer problema. Nossos problemas... contar os amores é uma maneira de desprezá-los, como se eles se tornassem só números. Vale o que for para amenizar um sofrimento.

Um abraço.

Cosmunicando disse...

à porta da noite é preciso recontar os amores e os poemas!
belo =)
beijos

Saara Senna disse...

Ainda bem que podemos nos refugiar nos poemas... e expressar tudo que sentimos, nossas "perguntas e ansiedades"...

Muito bom!

Beijo garnde :)

Zingador disse...

Bom, passei pra deixar um presente, mas não tenho como não comentar.
"... me adiciono barro no espírito..."
´Tentar deixá-lo mais rígido, mas forte para sustentar um corpo que sempre cansa...
Gostei disso, na verdade amei a série.

E agora meu presente, tem selo lá em meu blog para ti.
Abraço perfumado

Germano Xavier disse...

Como quem ordena o desordenamento profícuo, você constrói a poesia-una de estado latente. Pulso a apipocar a veia da vida.

Em admiração.
Abraço forte, Batisti.
Continuemos...

Mai disse...

Somar coisas - contas doidas - números são exatos e número também tem sonoridade e os numerais também são palavras...
É muito original tua palavra e os teus 'issos'.

Carinho

Opuntia disse...

Mesmo perdendo alguns amores durante o dia, o resultado será positivo, se continuares somando.

Belo poema aritmético! rsrs

F. Júnior disse...

o verão nos deixa preguiçosos mesmo... por aqui verão é sempre chuva, logo, preguiça maior... qto à uma editora... sei lá... não me sinto maduro o suficiente pra tanto... mas tenho vontade e vaidade suficientes, se é que vc me entende... embora, eu ache que o alcance da internet seja até maior do que um livro fechado numa caixa ou pratileira... vale falar tbm, que a poesia é uma experiência meio egoísta pra mim... o grande prazer em escrever, compor, em construir versos, frases... o que vem depois são prazeres adjacentes...

paula barros disse...

Tenho lido. Perdi as contas. Volto coloco a mão no queixo, leio de novo.

abraços

Branca disse...

Dauri,
Somar amor, com mais amor e mais amor não pode dar errado...essa conta é sempre exata.
Dizer o que dos seus poemetos...lindos, todos os da série e o interessante é que superando nossa expectativa, eles ficam cada dia melhores.

Ótimo dia pra vc,
bjos.

lyani disse...

Reencontro a beleza quando entro por esta porta e vejo tão belas palavras!
Bjos,
Ly

Jo Bittencourt disse...

Poemas não são teus, são nossos! E o dia perdido de amores, palavras e mais palavras...


Dauri querido, beijo!

Sandra Leite disse...

gosto dos issos, gosto das estrelas. Elas apontam a minha esperança. Elas me fazem sonhar, infinitamente.

Eurico disse...

Com a mão no queixo, como fica a Paulinha Barros, minha vizinha. É como ouvir uma sinfonia, as tuas séries fazem volteios sobre os temas, sempre com novas harmonias, com intervalos e timbres surpreendentes. Pra que comentar se posso ficar com a mão no queixo, Maestro Dauri.

Sil Drabeski disse...

Oi Dauri!
Sempre espio seus poemas mas nunca me manifestei aqui..
Agora, resolvi te dar um prêmio, o troféu Pedagogia do Afeto!
Confira seu nome no meu ultimo post,

Sil!

paula barros disse...

Dauri

Demora não, sinto falta.

A vida é feita de contas doidas - amor com amor, as vezes nem dá amor, dá briga, ciúmes, posse.

Admiração com carinho dá uma forte amizade.

Sua conta acontece mais que a razão entenda.

abraços

EDER RIBEIRO disse...

entre números ser o primeiro, Adão comendo a maçã com a intenção de ser, a fruta, Eva. Abçs.

coffee-break disse...

"números que adivinham tulipas ao relento" - você é bom em decifrar as coisas em números...

e as poesias são suas antes de tudo. são tuas pra virar de todo mundo...