17 janeiro 2009

A casa nas montanhas
parece mais longe ainda
quando envolta em neblinas.
Os fragmentos de Deus caem sobre as folhas
e formam gotas que aceleram o tempo.
Quando uma cai ao chão passa-se um século.
Então me vejo ao acordar diante do sol poente.
Amor é umidade e calor.
Logo depois tudo volta a ser resseco e duro.

A sutileza das coisas traça o destino do meu olhar.
Há jardins na poeira da velha estrada. Nos entremeios
de uma pedra, se sabe, sempre existe outro mundo.

A casa nas montanhas
é uma casa de artes.
Nela se joga poesias ao acaso
sobre uma mesa, as que se fragmentam
Deus arremessa morro abaixo.
Quando me vejo estou rolando
no riacho como um seixo velho e desgastado.
Amor é paciência e beleza.
Depois tudo volta a ser rispidez e insignificância.

10 comentários:

Mai disse...

E onde estão as montanhas? E onde estão as fendas e os rasgos? Lá dentro? Cá fora? Ou cá dentro no adentro?
Há momentos em que subo montanhas e em outros me banho no mar e em águas bem fundas ou em chuveiros, que tem ralos, prá onde correm as águas sujas, que voltam prá terra.

Dauri, o exercício d_'essapalavra' é algo que eu jamais pensei ousar.
Mas é bom, é tão bom.

Nem sabes o quanto.

Beijos.

Iana disse...

Ola meu querido

Nossa forte esse seu poema
li com muita atenção e confesso que fiquei pensativa nessas palavras que em particular para mim foram fortes...

também vim desejar-te um fim de semana iluminado e com muito amor no coração
beijos
Iana!!!

Mai disse...

Dauri,

Referí-me à 'essapalavra' escrita.
Jamais ousei como agora e desde há bem pouco tempo o faço.
Em mim, a primazia da palavra sempre foi oral.
Por circunstâncias profissionais...
Preciso escrever ou 'morro'.

O silêncio diante do 'poder' que decide em 'Ato'. E que ocuparam o lugar do Rei. Impondo-nos por vezes, um silêncio que não dá para engolir, tem feito palavras sairem, como eu disse outro dia, em golfadas.

Não tem jeito, 'urano' me implode se eu não criar. A ousadia eu sempre tive.
A palavra escrita, prioritariamente, é o fato novo.
Tenho bloga apenas desde outubro.

É isto.

Beijos.

Márcio Ahimsa disse...

...são os círculos seculares do amor, da renovação, montanhas abaixo ou acima, o mundo é outro em cima das pedras, concordo.
Há sempre algo de diferente em algo que achamos conhecer, nossos olhos moldam novas formas, conforme nos aperfeiçoamos em nossa percepção sobre o que está in e o que está out.

Abraços.

eder ribeiro disse...

"nos entremeios de uma pedra, se sabe, sempre existe outro mundo", com este verso vc deu um significado maior para o que denominamos mundo. abçs.

Opuntia disse...

Uma casa onde poesias são jogadas sobre uma mesa é mesmo uma casa de arte.

Lindo poema e as imagens q ele nos traz.

Bjos

Maria Helena disse...

Querido poeta
Tudo se torna longe,difícil,triste quando estamos envolvidos em nossas neblinas.Mas os fragmentos que vêm da casa da montanha,se os percebemos,traz-nos tanta felicidade que pouco tempo parece um século...
Vivo esgueirando-me na casa de artes de onde rolam poesias e sinto-me feliz mesmo sabendo que o meu poente é cada minuto mais poente.
Abraços...Maria Helena

Elcio Tuiribepi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Elcio Tuiribepi disse...

Quanto mais espero...menos espero...
Achei esta bastante pertinente ao seu poema...que o sol possa brilhar antes mesmo da chegada das manhãs...um abraço

Germano Xavier disse...

Olá, professor!

Estive fora de casa por uns dias, viajando pelos estados de Alagoas e Pernambuco com meu pai e visitando o passado. Só agora que retornei pude ler o comentário deixado no Clube de Carteado. Agradeço enormemente pela presença. É sempre bom ter você como companheiro de leitura. E sigo com aquele meu desejo antigo de continuarmos...

Abraço forte e sincero.

Germano Xavier