17 dezembro 2008

, não posso me calar. Confesso, sim,
fui apressado em concluir.
Fechei portas que são lindas portas
enquanto o vento por elas entra e sai
depois de rodopiar na sala.

, ainda, digo em espontânea confissão,
não fui capaz de sentir o universo, de pensar
a imensidão de cada insignificante fato.
Asteróide cego e orgulhoso, exposto à gravidade
de outros, sem rota certa, caindo aos pedaços
em fugaz brilho e glória.

, sigo, se me permites. Encartilhei-me com estrábicos
óculos vistosos, para transitar pelas vias do ego.
Reneguei os inventários e o trabalho de reinventar,
nos limites do meu ilimitado território,
o saber enciclopédico que às crianças tanto encanta.

, confesso, escuta-me. Please!
Eu me despensei. Dei-me à divagação,
que se aproveitou de mim. Muitas vezes.
Mas houve consentimento. Ouço a reclamação
da poesia. Há carências de terra, corpo e chão.
E reitero, falta-me a exatidão, acuso-me.

15 comentários:

Márcio Ahimsa disse...

Ei Dauri,

é essa falta de exatidão que faz a poesia ser assim tão completa, tão chave mágica capaz de abrir qualquer porta de qualquer par de olhos que se atrever a lê-la, a sentí-la.

Abraços.

paula barros disse...

Nossa! Me deu vontade de chorar. Estou aqui, engasgada.

Sabe quando você escuta alguém confessando isso para você? Nunca ninguém me disse. Mas até poderia dizer. Ou eu gostaria de ouvir isso de uma determinada pessoa.

Depois desse emaranhado dentro de mim, deixa ver o que te digo.

O que eu disser sobre o que você escreve, confesso: estaria tomando partido, olhando sobre o meu sentir, o meu querer.

abraços

Vivian disse...

...às vezes é preciso
libertar o vazio
para que ele seja preenchido
pela sensação do desabafo.

e você o fez poeticamente,
talvez para iludir a dor.

ou não?

bjus, poeta!

paula barros disse...

Ainda estou aqui. Depois que projetei em você uma outra pessoa, fui ler os post passados, março e abril desse ano, interessante, achei, senti a forma de escrever diferente.

Tem uns que gostei muito.

São sentimentos inquietantes, mas de sentimentos inquietantes eu sei sentir, conheço alguns.

Ficou até mais fácil de ler.

Todo dia atravesso essa ponte e volto. Bem que podia ajudar a emagrecer. rsrsrs

MENSAGENS AO VENTO disse...

________________________________

O nosso ego é a fonte de todo o sofrimento... Ele é como uma criança carente a precisar de adulações o tempo todo... Isso não é nada bom!

Perdemos tanto tempo na criação do nosso ego, que deixamos passar em branco, a verdadeira finalidade de estarmos aqui...

Belíssimo e reflexivo poema!

Parabéns!!!


Beijos de luz e o meu carinho...

_________________________________

Elcio disse...

Aí Dauri, chego aqui vindo de outros blogs, tantos q n sei precisar qual me jogou aqui.

Adorei seu espaço, suas poesias esvoaçantes...senti o vento passar pela minha sala qdo te li.

Mt bom mesmo, parabens pelo feeling.

Voltarei + vezes.

É isso aí.
[ ]´s

Em tempo, o blog q o blogger indica aqui está atual e, sim esse aqui:

http://www.instantes.blogger.com.br

É onde deixo meus rabiscos despretenciosos...rss

João da Silva disse...

Um "confiteor" para deixar embevecido o próprio Paulo Setúbal...
Adorei, amigo Dauri, como de costume.
Abraços sinceros de João

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido Dauri, como é hábito, estão maravilhosos, só que hoje fiquei com uma lágrima teimosa... Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha

Mike disse...

Grande Dauri...
instantes de confissões
vagas, elas quase escapam por entre os dedos
com uma poesia haicai que só faz sentido (ou um "sentido maior") quando reunido os fragmentos....
confissões de quem renega a inspiração e assume os impulsos... a espontaneidade de ser.

Elcio Tuiribepi disse...

Escrever na primeira pessoa, falar sobre ego, é desvendar a si mesmo, se acusar, mas ao mesmo tempo perdoar-se...
Que seja apenas falta da exatidão ou ao contrário dela, da precisão sobre si mesmo...muito bonito o jogo de palavras...
Ah...tem mais amora lá...rsss...um grande abraço Dauri...

Opuntia disse...

Gostei da sua idéia de postar poemas em série. Cada novo poema assegura ainda mais a competência do autor(você).
Seu blog está ainda mais belo, enfeitado com as imagens da 3ª Ponte e do incomparável Mestre Ávaro.

Parabéns!

Menino-Homem disse...

puro, belo...
que vaidade nas palavras..
nossa!!!!!!!!

Eurico disse...

Se houve aula em minha homenagem, foi do Kujawski, a quem resenhei, e muito concisamente.
Bondosamente? Ó Dauri, tira daí esse advérbio, homem! Pode ser até que outro leitor nada encontre nos teus textos. Eu aderi à tua obra. A adesão é uma palavra densa e funda, que remete ás minhas vivências, às minhas leituras, às minhas sensações e ao meu imaginário. Aderi.
Isso basta.
Jamais seria bondoso se aqui não visse a arte que me move e me comove.
Abraço forte, de respeito e amizade, Poeta!

Letícia disse...

Se um padre fosse me ouvir, como se fazia antes, usaria palavras como as suas. Porque é isso. Um monte de conclusões apressadas. E adorei o "Asteróide cego e orgulhoso". Gosto muito de seus poemas.

Até mais.

Mai disse...

Olá, Dauri.
E confesso que não imagino-te clando "essa palavra".
Calar, emudecer, silenciar, morrer!

Confessar.... O quê?

Poeta querido, confesso. Os dias tem sido tão melhores...

Feliz Natal.
Voltarei, em breve.