16 dezembro 2008

, escuta-me uma vez mais, confesso,
obstruí os fluxos vitais quando economizei
verbos bons. Guardei palavras úmidas
para tempos secos e me danei com uma
urticária maldita que me ressecou a pele toda.

, ouça-me, retroandei, sim,
em passos lentos para a frente,
se tu me entendes. Andei tão vagarosamente
que as passadas adiante que dei
foram retromodos de viver sem amor.

Hei de falar mais. Confesso.
Respinguei-me nesses caracteres que se seguem
em linhas derrames das minhas angústias.
Esperei demais deles. Depois eles
hibernam nas páginas. Eu morro. Ficam os campos
e ventos e espaços abertos deletados de mim.

, eu me encoisei.
Sim, eu me coiseifiquei. Abafei
os ventos , fiquei coisa.
E transpesei. Perdi a pena da
alegria que voava dentro
dos meus olhos.

13 comentários:

Letícia disse...

Ler o que você escreve é andar em trilho de trem. Porque é difícil quando a gente se vê assim - exposto num texto ou poema. Confesso, usando sua palavra, que ando coisificada também. Página lida e ainda sem compreensão. Poema de arrependimentos e revolta.

E gostei do que falou sobre o conto ser a chaminé. O bom é ver as leituras e enxergar mais.

Eurico disse...

Como te disse, postei o poema anterior lá no meu blogue, com um pequeno preâmbulo. Na verdade, gostaria de postar a série toda. Mas deixei lá uma excelente mostra da tua obra. Espero que aproves.
Abraço fraterno.

alvarêz drewïzqe disse...

o detentor das palavras! bom, muito bom!

vamos manter o diálogo.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido Dauri, belíssimo cpmo sempre... Beijinhos de muito carinho,
Fernandinha

intimidades disse...

nao podia ler nada melhor antes de me deitar

Jokas

Paula

Alex Sens disse...

Estou gostando muito dessa nova série, Dauri. Cada poema me deu uma sensação meio epistolar. Só faltou o selo colado nas letras. :)

Mai disse...

"semeion"

Lingua, linguagem.
Palavras.
Laço indissolúvel da expressão de um mundo insabido e inconfessável, mas que aqui, confessas e semeias, em signos, no seio da vida poética.

De novo, és muito!

Abraços.

Vivian disse...

...você simplesmente me encanta,
até quando vira 'coisa'...rs

muahhhhhhhhhhhhh

Ígor Andrade disse...

Belo espaço!
Obrigado por me ler. Volte sempre!
Abraço!

Germano Xavier disse...

Lingaugem que para mim soa como voz boa e renovada, Dauri. Tua palavra tem eco e tua criação é do verbo ser.

Um abraço poético.
Continuemos...

Cadinho RoCo disse...

O coisificar pode ser muito perigoso.
Cadinho RoCo

Rico B. disse...

Por muitas vezes me vi me coisificano. e repente me vi agindo e transformando a coisa em novos movimentos. E daí fui descobrir que a coisa era um casulo e que eu poderia fazer dela um local seguro para ponderar e bancar a tal borboleta que traria algo novo. Parei o blog, dei uma olhada lá fora, fui olhar a cara da Madonna no Rio e vi que tava voando, assim, sem perceber... Abs! Texto excelente!

mundo azul disse...

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Dauri, ler o que você escreve é repensar algumas coisas que estão meio estagnadas... E incomodando!


Adorei! Gosto muito de textos que me façam pensar...


Beijos nesse inspirado coração!

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