09 dezembro 2008

Desconexas horas
(Eis minha nova série : Desconexas horas. Minha intenção era publicar 12 horas por cada postagem, mas acho que ficaria cansativo para a leitura. Optei por três horas de cada vez).

I.
A água se lavou de estrelas
e disse,
marejei nos olhos da dor
e escoei-me como lucidez,
talvez, talvez
lucidez de amor.

II.
O sono pegou no fogo
e o fogo teve um sonho,
sonhava que era flor
de maracujá
para acalmar seu próprio calor.

III.
O laço foi dado em silêncio,
mas havia qualquer coisa no nó
que gritava um grito horrível
de passos muitos que se vão
por onde não se quer ir.

(Peço desculpas aos amigos que já passaram por aqui,
mas tenho que fazer uma hora extra. Beijo).
Hora extra.
Uma insanidade latente, borbulhante
atravessou as fibras cardíacas,
vazou pela língua em benção sem liturgia
só pra dizer: agora, sim, agora,
exatamente nesta hora,
alguém pode ser feliz.

11 comentários:

Márcio Ahimsa disse...

há qualquer coisa na hora,
entre laço que se desfaz,
como um sorriso de senhora
que quer apenas sonho
de dormir em águas de amor,
entre despetalar da juventude.

Acho que há conexão nessas horas desconexas.

Abraços.

fred disse...

Muito bom Dauri, será ótimo acompanhar.
Abraços

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido Dauri, lindo estas três primeiras partes... Adorei... Beijinhos de carinho e ternura, Fernandinha

Eurico disse...

Retomo contigo a caminhada...
Se puder leia a minha resposta ao teu comentário lá no Eu-lírico...rs

          Thiago Laurentini disse...

Uau Dauri, ficou ótimo! Gostei muito, gostei muito mais da 2ª hora,
II.
O sono pegou no fogo
e o fogo teve um sonho,
sonhava que era flor
de maracujá
para acalmar seu próprio calor.


Realmente, muito sábio. Parabéns!
Obrigado por acompanhar a minha coluna!

Mai disse...

Ai que coisa mais linda!
Eu me derreto, inteira.. E fico, de novo, pensando e pensando, como apanhas palavras? No chão, no céu, no ar, no mar?
Deus, eu não creio, no que fazes e sinto. No que escreves, e sinto. No que ouço, e sinto. No que leio, e sinto. E se lembro de ti, mesmo sem te saber coisa alguma, te sinto.
Isto é um "PODER", que não cabe, em si.
O poeta é solitário, dizem...
Tens a minha companhia, sempre, e desde sempre.

breathless...

tossan disse...

A lucidez do amor, é só talvez. Cada vez mais profundo! Abraço

Lucas dos Anjos disse...

Legal demais o seu blog.

Abraços

Germano Xavier disse...

Horas que nos apreciam. Horas que nos criam e nos fazem ser, do verbo ser.

Abraço forte, Dauri.
Continuemos...

Dois Rios disse...

Dauri, meu querido,

Posso fazer uma tietagem? Adoro as suas poesias. A-do-ro! Muitas delas guardo comigo em uma pasta especial para não perde-las de vista.

III - Quando o silêncio se instala no "nós" o laço se desfaz.

Beijos muitos,
Inês

Camilla Tebet disse...

Que desconexas são essas horas então. Estou te lendo e adorando tudo.
"O sono pegou no fogo
e o fogo teve um sonho,
sonhava que era flor
de maracujá
para acalmar seu próprio calor."
Dauri Batista.
QUe coisa mais linda isso Dauri, que coisa mais linda.
Que as choras continuem então desconexas.