10 dezembro 2008

(Continuando a série desconexas horas)

IV.
A página desvirou-se em letras
abriu os olhos da mesa
e esparramou-se como toalha
para a santa ceia
de quem decidiu crer, outra vez,
no amor.

V.
Poemas são veludos de vozes
que recobrem certas palavras.
Mas há outros, de estranhas espécies.
Um pode ser da espécie tosse,
outro hálito de febre,
outro ainda catarro que se expectorou
na aflição de se viver mais.

VI.
A mãe e a massa
se apertaram no mesmo pão
rasgado em bons pedaços
de sacramentos afetos
tão bons, tão bons,
que ficou claro que eram dados
para a salvação de Deus.

Hora extra
A andorinha pousou não se sabe onde,
mas pode ter sido num coração.
Qual foi o oráculo, quem haverá de dizer?,
mas a pena que caiu, caiu escrevendo,
pra todo mundo ler: exato agora,
nesta hora,
alguém pode ser feliz.

9 comentários:

Thiago Laurentini disse...

Dauri, ficaram muito legais esses períodos, aguardo os próximos.

Um abraço

Mai disse...

Ei!
Não conseguí terminar de ler...
Sei lá que me deu, agora...
Sabe o tal eixo?
Não há.
Falta eixo quando alguma coisa como isto, agora, me assalta.
Ainda agora, já respiro melhor mas, ainda soluço.
Crê! Tudo está a flor-da-pele.
A pele, inteira, tudo, tudinho...

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido Dauri, magníficos poemas... Adorei... Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha

fred disse...

Gostando de ler.
Abraços

Elcio Tuiribepi disse...

Um pode ser da espécie tosse,
outro hálito de febre,
outro ainda catarro que se expectorou
na aflição de se viver mais.

Gostei disso...rssss...um abraço amigo...

Rosemeri Sirnes disse...

Poeta Dauri, meus elogios estão se esgotando, mas não cessam. "Poemas são veludos de vozes que recobrem certas palavras".Meu Deus!! Quero tuas publicações todas e teu autógrafo também.Há beleza em toda parte e vale pena as horas todas e as extras passadas por aqui.

Beijos

Lisa disse...

Uma palavra escrita.
Um som.
Dias assim, em que não há encontro. Há apenas um espaço entre tempos que param entre o ter e o ser(...)

Abraço
Lisa :-)

Artista Maldito disse...

Olá Caro Dauri

Pessoalmente este poema considero-o um dos mais belos que li do Dauri. Um sacramento como este é o único em que creio: NA FORÇA DA PALAVRA, NO SENTIMENTO DOS VERSOS, NA TRANSFIGURAÇÃO DO POEMA.

Muito obrigada pelo seu carinho, pois estendeu-me a mão, quando precisei.

Um beijinho com muito carinho
Isabel

Tatiana disse...

Estive aqui mais uma vez apreciando...
É sempre muito bom estar em contato com as suas palavras!

Um abraço carinhoso