02 dezembro 2008

Imerecido reverso de lucidez

– carrego noturna altivez,
imerecido reverso de lucidez
e imprudências de palavras
que desgovernam ela essa quando fala,
ela não pára, curva, ando, ando, ando
e, as vezes, parece que desando
em caminhos em que vejo, sem pena,
os suplícios e centelhas
de alguém essa que já fui.
Essa fui enfermeira
de maior competência, muito cuidei
de muita gente, de dor, de ais. Mas, não,
não sei, algo explodiu no céu bem longe
ou perto na alma bem fundo. Desamei.
Pode ter sido também porque a gata
teve sete gatinhos naquela sexta-feira,
morreram todos na chuva.
É. Desamei. Eles dizem que enlouqueci.
Estão enganados, não entendem,
desamei. Ninguém sabe o que é desamar.
Este é o problema. Ela essa desamou,
e depois que desamei
ganhei noturna altivez e força de andar.
Não sei a partir de quando desamei,
mas desamar foi o jeito de resolver,
ela essa não é boba. Ela anda.
Resolver o quê? A vida, ora.

11 comentários:

Tiago Soarez disse...

Dauri,

Faz muito tempo que não passo em seu blog e hoje me senti bem em poder entrar aqui e ler muito do que você publica.

... Não sei o que é desamar, mas talvez já tenha sentido isso...

Abração!

Tiago Soarez disse...

Aliás, é bom saber que você escreve inspirado em muito do que vê... taí a fonte de tanta criatividade...

E, use a palavra Poemas mesmo... combina com tudo isso aqui!

Mai disse...

Oi, Dauri.

Tu sabes, sigo teu blog. São poucos os que sigo, uma mão, talvez...
Hoje sei porque, tão seleta, te escolhi. Poucas vezes choro, nos dias de hoje. Ontem, essa-eu, foi chorona, muito....
Mas chorei desde o início dessa fala dessa uma que a tua linguagem modelou.
Absurda a emoção que tu consegues, como poucos, muito raros, me deixar doendo o peito.
Fico encantada e lenta, quando te leio.

Posso me repetir aqui, em tentativas insuficientes, para descrever o que estou sentindo, neste momento.

Absurda, absurda emoção.

Carinho, sempre e muito.

Eurico disse...

Seres das ruas de qualquer lugar do mundo, os teus anônimos respiros. Calam fundo na alma e nos fazem cativos do teu blog.
Abraço fraerno.

J.F. de Souza disse...

Caramba... Devia er aparecido por aqui antes...

J.F. de Souza disse...

TÁ EXCELENTE!!!

J.F. de Souza disse...

Hey, Dauri!

Tem um convite pra você no B7C! Dê uma clicada aqui e veja lá!

1[]!

Márcio Ahimsa disse...

Oi, Dauri.

Puxa, essa ela, que tantas vezes
desmazela n`alma, tantas vezes fica assim impregnada na gente, agora, revelada nessa poesia em desmedida, me faz pensar que é bom estar aqui.

Obrigado pela visita.

Abraços.

Marco disse...

Pô, te descobri agora, num blog de alguém aí. Belo trabalho o seu... Parabéns!

Vivian disse...

...essa, ela,
aquela que habita em mim,
curva-se emocionada
diante da sua lucidez.

muahhhhhh


PS) eu ainda não havia conluído
meu post, e sua nobre presença
já se fazia encantar.

OBRIGADA por isso!

mais, muahsssssss

Rosemeri Sirnes disse...

Amei o teu processo, a onda que leva do mar pra areia, o desaguar dos respiros de rua.

Beijos