23 outubro 2008

O M da minha mãe e o B do meu pai

Gavetas.
Em gavetas? mais do que isso,
em cheiros, cheirinhos puro carinho,
no tempo perdido passado,
tempo vivido e achado
em odores e perfumes,
no tempo pego pelo olfato,
descobri outro dia, feliz,
junto com coisas de mãe, guardados,
minhas primeiras letras e um parabéns
sobre a folha amarelada.
Folhas de papel almaço
unidas por uma fita azul;
na capa um menino desenhado
por detrás de um grande “um”
dizendo: o primeiro ano foi difícil,
mas passei.

Um dia, tudo,
nas origens, horizontes
entre as montanhas,
pequena colônia de imigrantes
com sotaque italiano
aprendendo português.

Gestos em ensaios,
eu lembro bem,
uma mão sobre a outra
a professora, a mãe
ensinando um caminho
que não mais, não, não tem mais fim.
Eu adorava o M maiúsculo da minha mãe
cheio de voltinhas como flores em buquê
e o B do meu pai
como a boléia de um velho F(e)N(e)M(ê).

12 comentários:

anderson eduardo disse...

Lindo texto.... lembranças sao sempre boas... abração e boa semana

Jacinta Dantas disse...

Caramba, Dauri,
gostoso demais escutar toda essa magia Mãe-Pai-Criança-Caminho-Vida.
É lindo.
Beijo

Artista Maldito disse...

Sim, lembranças, fragmentos mais vivos do que o presente...
As nossas origens guardadas, com carinho, na nossa memoria...

Caro Dauri, ambos somos de ascendência italiana...
Coincidências!

Um beijo de amizade
Isabel

Tatiana Moreira disse...

É mágico o poder que os aromas possuem de nos fazer viajar em pensamentos por tantos momentos bons!
Ao ler aqui pude absorver as doces recordações de seu coração!
Um dia feliz para vc!
Um abraço com carinho

mundo azul disse...

Seu texto me emocionou... Lembrei das "minhas crianças" que também me ofereciam desenhos e versinhos...
Tenho alguns ainda guardados!

Muito coração nas suas palavras!!!
Gostei demais!

Beijos de luz e o meu carinho...

KÁTIA CORRÊA DE CARLI disse...

Também descobri, qdo minha mãe partiu para outro plano, guardado numa caixa, um desenho, em mimeógrafo, pintado por mim e ofertado no dias das mães de um ano qualquer da minha primeira infância...
Coisa de mãe...
Um dia, meus filhos também descobrirão seus tesouros...
Coisa de mãe!
beijos

Alex Sens disse...

coisa gostosa de poetar, dauri. falar assim do passado, tão bom. lembrar as letras é sempre contemplativo.

abs.

Vieira Calado disse...

Recordações.
Guardamos com carinho as que nos são gratas.
Bjs

maria helena disse...

Lindas e prazerosas lembranças.Eu também as tenho!Minhas, que mamãe guardou, e as que guardei dos meus meninos.Foi bom recordar.
Abraços
Maria Helena

Camilla disse...

Nostálgico. Vc fala do passado em poesia e eu leio com gosto.
Lindo!

Camilla disse...

Nostálgico. Vc fala do passado em poesia e eu leio com gosto.
Lindo!

Ana Paula disse...

Mais que sublime esse olhar para o menino. E, sim, é para muito além da gaveta e o papel almaço...é para as muitas gavetinhas, nos muitos arquivos de toques, de cheiros, de broncas, de sorrisos, de olhares que nos percebemos filhos aprendendo a caminhar, ontem e hoje.
Fico emocionada.

Ana Paula