10 outubro 2008

A ave, o porto e a falta de amor

Lá de cima do penedo constituído guardião do porto
a ave-dos-olhares sobrevoa meus pensamentos e me ensina
poderes santos para avistamentos de encontros, beijos e desejos.
Mas estou longe, muito longe em ansiedade, sentimentos
não sei bem quais, em mim falta de amor, isso sei.
Cargas retorcidas em contêineres viscerais carrego
mar afora bem longe ainda do cais que espero ver.
Faço um trato em oração com o porto
de não lhe negar um olhar qualquer que seja,
bem que veja em troca meu coração
o favorável pássaro guardião e me ajude
a reencontrar aquela parte de mim mesmo
que esqueci de olhar.

6 comentários:

Eurico disse...

Bom dia, Poeta! Que a ave-dos-olhares nos leve ao mar imenso e interior; que ventos favoráveis façam planar em nós o pássaro guardião e nos ajude a perceber o amor com o olhar do coração.
Bom dia, Poeta Dauri!

Artista Maldito disse...

Olá Dauri
No cais as gaivotas esperam
Os barcos que chegam, em uníssono
Um só coração à espera desta longa
Perdida espera. O olhar vazio,
Olhando o horizonte, vasto
Que nos deixa tão longe,
Ou, sem o sabermos ainda,
Mais perto do céu,
De um tremor passageiro
A lembrar-nos que um dia
Nos havemos de reencontrar.

De uma amante do mar para um poeta do amor
Isabel

Tiago Soarez disse...

Dauri,

Gostei tanto, mas tanto desse seu poema, que fiquei com vontade de "roubar" para o Bossa Nova! rs.

A sensação do mar, da espera, do porto... é tudo muito bem escrito. Imaginamos e imaginamos profundamente o universo que vc cria!

Parabéns!

Maria Helena disse...

Ir até ao porto e abrir os contêineres à luz ,dá um repouso à alma e ao corpo e os sentimentos fluem muito doces.
Maravilha!
Abraços
Maria Helena

JOICE WORM disse...

Já começo a achar que suas poesias tem melodia... Não sei porque, comecei a ler como se fosse uma música, Dauri. A sério. "Lá de cima do penedo.. la, ra, la...".
Beijos, compositor!

Luis Eustáquio Soares disse...

e é tudo que não podemos, poeta, fiar sozinhos, se quisermos destronar o ataque especulativo às economias dos povos, assim como aos afetos, lançandos tempestades de solidões.
meuabraço,
luis de la mancha.