04 março 2008

Os meios do coração do beija-flor

As penas foram arrancadas com anseios das asas do pequeno beija-flor leveza; as verdes, as azuis e do coração, os meios. Tudo justificado pelo amor à riqueza.

Fez-se das penas parafusos para o trem de ferro que em nostalgia nesta estação, e embaraços, com um frio no peito, parado, espero para seguir viagem para onde-não-sei-o-que-faço.

Os meios do coração, disseram, foram jogados, onde ninguém anda, onde o sonho tanto faz. Desconfio que o terreno onde foram deixados seja o meu alado-azul-esverdeado coração sem paz.

9 comentários:

douglas D. disse...

"as luas são sonhos que também já foram dores"
muito bom!

osrevni disse...

Alado-azul-esverdeado coração sem paz...

Que bela imagem!

o Cronista disse...

o mundo trata mal os coraçoes.

Jacinta disse...

Leio, de novo, e fico divagando: com as asas do meu coração poderia voar ao encontro desse poema, tentando decodificar a leveza, os meios e a riqueza. O fim justifica o meio. Não. Acho que não é isso. Melhor voltar depois.
Por enquanto, vôo.

Bjos
Jacinta

Dauri Batisti disse...

Jacinta,

primeiro pensei uma coisa bem leve e sem nada a ver com o dinheiro: um beija-flor.

Depois outra bem pesada e que estivesse a serviço do lucro: trem de ferro.

Então falei da exploração de tudo para se obter riqueza. Como imagem do depauperamento da natureza escolhi a imagem das penas transformadas em parafusos.

Os meios, o miolo do coração de um beija flor é algo bem pequeno, insignificante, mas é a essencia da vida, frágil, pulsante, jogado em qualquer lugar.

O personagem sabe disso tudo e não sabe o que fazer. Só sente no próprio coração a mesma vida que também esteve no beija-flor.

Um beijo.

Obrigado pelos comentários.

Alex Sens disse...

Um estouro! Um rasgo! - gostei demais disso :)

Capitão Ócio disse...

Bonito!

Luiza disse...

Caro...
Tens razão, tornamos ferro atraz deste $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
Sem perceber arrancamos as penas do nosso pequeno beija-flor leveza...tudo de mais sublime que temos, perdemos muito tempo sem que percebermos

Abração!

Lúcia Elena disse...

Dauri
Admiro a capacidade de abstração dos poetas,em especial aqui a sua.Às vezes nem me sinto a altura de comentar, apenas apreciar. Aliás se o mundo tivesse mais poesia talvez não seria tão "desigual".
Abração,
Lúcia Elena