05 fevereiro 2012

Ia, não sabia exatamente para onde, talvez para a casa de uma de suas irmãs, uns sete quilômetros, talvez confessasse sua dor à irmã, eram tão unidas, talvez falasse do seu amor, ou não, seguia a estrada sem querer voltar, a tristeza a perseguia desde o dia que partira aquele, empregado risonho, bom trabalhador, vaqueiro destemido, seu pai o despedira, foi-se a pé, uma pequena bolsa de couro jogada nos ombros com uma única peça de roupa, a outra, vestia, a de trabalho, não tão bem lavada, passada às pressas pra secar mais rápido, sem tempo de ficar no varal, viera um dia bater à porta da casa de seu pai pedindo trabalho, avistara-o da janela quando a porteira bateu e viu que um estranho se aproximava, quem será? perguntou-se enquanto cantava uns versinhos, sentiu ali, sentiu, não inventava, sentiu ali que seu destino viria a mudar, mas triste agora caminhava, seus passos queriam fazer os dele, ir aonde ele teria ido, para onde se foi? esperou que ele voltasse e não voltou, passaram os dias, veio uma chuva que se alongou por semanas e ele não apareceu, ela pensava, ele voltará num domingo qualquer, ou num sábado à tarde, para vê-la com a desculpa de que queria rever os amigos, os outros empregados em seus galpões pobres e cheios de outras coisas, arreios, ferragens, as camas cada uma num canto que o pobre escolhesse, seu pai não permitiria que conversassem, mas ela saberia, foi por mim que ele voltou, pensaria exultante de alegria, sofria ele do mesmo mal que ela, o desejo de ver, de estar perto, vieram de novo os dias de muito sol , ele não, nunca mais, mais de mês, e hoje, dia de Santa Inês, ninguém trabalha, seu pai não permite em homenagem à sua santa, estão todos de folga, os empregados no seu galpão, estirados em suas camas com lençóis que precisam das águas do riacho, e ele? Águida segue a estrada, o sol das duas da tarde se distancia de suas dores e faz o mundo todo indiferente, tudo queima na solidão da estrada, os passarinhos cantam aqui e acolá perdidos, Águida pára, olha ao redor, não avista nenhuma casa, o gado se amontoa na sombra fresca perto da mata, então desiste de ir à casa da irmã, tão longe à pé, volta-se e avista alguém que vem à cavalo, teme que seja seu pai.

12 comentários:

perfumay arte saboaria disse...

E essa espera angustia, Dauri. E esse final, cabe ao leitor tirar as suas conclusões. Bravo. Abçs.

Vivian disse...

...vim agradecer suas palavras
lá no meu cantinho de receber
amigos que amo.

bj imenso, alma linda!

:.tossan® disse...

Eis aqui um show de escritos e quem fica mais feliz sou eu que aprecio.
Abraço amigo Dauri, mesmo em viagem gostei de vir.

Everson Russo disse...

A espera muitas vezes é angustiante meu amigo,,,mas muitas vezes recompensadora...abraços de boa semana...obrigado pela visita...volte sempre que desejar...

Oliver Pickwick disse...

E aí, camarada? Há quanto tempo, hein? O condado está sem atividade há pouco mais de um ano. Mas, de vez em quando passo por lá para molhar as plantas. Não sei se voltarei a escrever por aquelas bandas, fico, sempre, com a sensação de que aquele ciclo se fechou. Mas continuo escrevendo, e na fila de uma editora para a publicação do primeiro livro.
Dei um lida "nessas palavras" e, percebo que continua um craque na descrição das personagens e dos ambientes, especialmente os do meio rural.
Vida longa a "essapalavra".
Abraço!

Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bom!! Muito bom mesmo!!

[]s

Everson Russo disse...

Um belo dia pra ti meu amigo...abraços fraternos.

brisa48@bol.com.br disse...

BOM
VIM TE FAZER UMA VISITA.
PARA CONHECER O TEU BLOG.
BONITA MENSAGEM A ESPERA PODE SER LONGA MAIS VALE A PENA QDO COM BOA SURPRESAS. UM ABRAÇO
BRISA

Everson Russo disse...

Um bom dia pra ti meu amigo...paz e poesia sempre...abraços.

Everson Russo disse...

Um belo final de semana pra ti meu amigo...abraços.

Paula Barros disse...

Sempre passo para olhar os barcos. Hoje pensei: depois do face ele abandonou os barcos, e encontro este novo barco.

Está frase me chama a atenção, gosto das construções de muitas frases suas.

"tudo queima na solidão da estrada"

abraço!

Luna disse...

cheguei agora, vim agradecer a visita ao meu cantinho, mas vou voltar, gosto da forma como escreves
bj