21 setembro 2011


pelas manhãs de setembro

Faz-se uma janela ali, abre-se um lago de luz. Ele olhava a manhã e tudo estava nela, tudo. Mas nada estava completo, apesar de pleno. Vou pescar, ele disse. Como vais pescar, o outro perguntou e exclamou ao mesmo tempo. Vou pescar, ele afirmou novamente. Mas havia ali naquelas palavras um outro “vou pescar”. Se te conto agora este conto é pra te fazer um convite. Talvez ele se lembrasse de um poema, um poema de Pablo Neruda, talvez. As certezas se diluem em uma espécie calma de satisfação e anseios. As palavras que aqui ficam voam em várias direções. O poeta falava em pescar luz caída, com paciência, de um poço - que imagino escuro. Caem muitas luzes de volteios macios pelas manhãs de setembro, e não pescar será um desperdício.  Vou pescar.

4 comentários:

Paula Barros disse...

Eu também pesco...pesco sonhos para alimentar a vida, pesco palavras para transformar o dia, pesco imagens para sorrir os pensamentos....
(me deu vontade de comentar assim)

Sim, as palavras voam em vários direções e pousam nos mais diversos corações.

EDER RIBEIRO disse...

Iluminar-se, não importa a forma, iluminar-se sempre. Abçs.

Tatiana Moreira disse...

Acho que todos nós de certa forma, somos pescadores! Aqui por exemplo pesquei emoções e inspirações!
Um abraço carinhoso

maria carol disse...

Dauri meu querido

sabe que disse esses dias a uma amiga
que gosto muito das manhas de setembro.
Gosto muito dos dias desse mes.
Num deles nasci e h'a certo desejo estranho,
que num deles pudesse eu morrer...

entao, me preparo sempre em setembro
para nascer e morrer.

filha da primavera... vai ver que e' essa estranheza
que remonta minha propria terra, raiz, paragens,
que me faz chover e fazer sol e azul
que se encosta em mim, me transforma...

quem sabe sair para pescar...
pesca de homens. seu escrito me convida.

bj