01 fevereiro 2011

Inesperado sol

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Folha velha de papel arrastada por um espaço largo e ancorada numa parede azul desbotada, seus olhos caíram sobre o gerente no bar, foi assim, não esperava senão ver um homem a mais, a novidade na boca de todos ali na vila, o novo gerente, o que esperava era um senhor com ar de importância, esta que não se tem, mas que se forja em esteriotipados trejeitos de se achar, jeitos que de costume via nos que ocupam cargos intermediários, pessoas que estão no degrau do meio, ou mais abaixo do meio, e que se vestem de capas e olhares e posturas de quem está no topo da escada, se surpreendeu, o gerente era um homem bonito, com aquele ar de jovialidade e madurez que se alcança entre os trinta e os quarenta, totalmente destituído de uma forjada autoridade. Não gostou nada do que sentiu, borbulhar de águas encachoeiradas que perdem a transparência, ficam leitosas, pesos de grandes nuvens na barra do céu anunciando temporal. Seus olhos caíram sobre ele com carinho e uma febre de energia se anunciou por debaixo da pele, sinais de outra história, ou de outros capítulos de uma mesma e enceguerante história a se desdobrar, o Justino Barroso, o sargento no exército, agora este. Os passos se aceleraram, já avistava o prédio dos escritórios, uma janela no segundo pavimento aberta. Queria recuar, voltar atrás, não conseguiria. Dane-se, disse pra si mesmo já vivendo a alegria da decisão.

7 comentários:

Paula Barros disse...

Dauri, primeiro vou comentar a imagem.
Bem, roubei meu comentário. rsrs

Está tão linda a imagem, que roubei a sensação e o que eu ia dizer.

Lembrei de uma decoração que vi, só não lembro onde, em alguma pousada talvez, que era com flores em lâmpadas.


beijo

Eurico disse...

Essa retórica por desfecho, essa sempre adiada conclusão enarrativa, esse fôlego de mestre em mergulho submarinho, toda essa melodiosa fraseologia gera uma saborosa ansiedade e nos prende a atenção.
Se querias esse efeito, está perfeito!

Abç fraterno

Tod(as) palavras disse...

brilhante, meu mestre, brilhante! grande abraço.

Paula Barros disse...

Dauri, sempre algo me impressiona, me impressiona sempre as suas descrições e que eu posso ver a imagem - Folha velha de papel arrastada por um espaço largo e ancorada numa parede azul desbotada...e tantas outra.

Me impressiona a descrição de sensações e sentimentos.

E gosto deste conjunto, de imagens, sons, sabores, sensações que seus escritos sempre trazem.

bjs

Jacinta Dantas disse...

Querido Dauri,


Obrigada pela atenção que você dá aos meus rabiscos. E neste, que amor é esse? apenas um pensamento: Pensando no Amor, vou divagando sobre Amar. Amar alguém que a gente sabe que existe,
mas ainda não saiu do ninho. Esse amor vivenciado pelas grávidas.
... É por aí. Apenas divagações.


Por aqui, temos novidade. Está chegando gente nova. Daniel, filho de André e Suzana.
A vida segue.
E sigo, acompanhando o seu Inesperado Sol.
Beijo

Elcio Tuiribepi disse...

Olá Dauri...obrigado pelas palavras lá no Verseiro...
Expressões interessantes aqui é o que não falta...a Paula destacou bem...mas este pedaço tocou minha irrtação passageira com os nossos politicos...rs

o que esperava era um senhor com ar de importância, esta que não se tem, mas que se forja em esteriotipados trejeitos de se achar, jeitos que de costume via nos que ocupam cargos intermediários, pessoas que estão no degrau do meio, ou mais abaixo do meio, e que se vestem de capas e olhares e posturas de quem está no topo da escada

Não falo do cargo em si...mas do cargo da alma...rs

Um abraço na alma

Boa quarta amigo

Paula Barros disse...

Olhando a imagem, lendo o comentário de Élcio aqui, lendo o comentário dele no meu blog, o chatear-se, o ficar triste...e me lembrei, diante da imagem, a vontade que alguns momentos da vida me dão ou deram vontade de fugir.

A imagem pode simbolizar o não fugir, mas o decidir por um rumo melhor, a "alegria da decisão".

A vida cheia de passos, de decisões...até para transformar dor em aprendizado, em motivo de alegria. E que não é fácil.

abraço