13 janeiro 2011

Inesperado sol

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Ao voltar ao balcão um outro ajudante tinha se juntado aos demais, um rapaz dos seus vinte e poucos anos. A mulher se mantinha afastada de atendê-lo especificamente, como se cumprisse ordem, veio o rapaz, veio com toda a prontidão, estendendo a mão e se apresentando com uma efusão de simpatia da qual logo se recompôs como se percebesse uma falha em si mesmo, um exagero, sempre se recriminava, mas não conseguia vencer aqueles modos, discretamente olhou para um lado e para o outro e continuou no seu trabalho. Justino Barroso percebeu a cena com atenção, havia em suas maneiras, no olhar disfarçado, um ato em premeditação de fera. Augusto observou, sentia que a posição que ocupava no imaginário daquelas pessoas dava-lhe uma importância com a qual não sabia lidar em função da falta de habilidades, aquelas que se adquire no desempenho cotidiano da autoridade. Durante o tempo que esteve ali Augusto sentiu que o rapaz o seguia, quase o perseguia, com um olhar morno, de chá de camomila, mão leve de barbeiro sobre o cabelo, nao sabia explicar. Saiu para respirar, o ideal seria ter agora um cigarro, fumar, fumar sem pressa, como aprendera na casa de dona Irene; mas abandonara o fumo com a ajuda da esposa, mas na fuga voltara a fumar. Entrou no bar, comprou um maço e foi-se embora, a chuva tinha passado, a noite estava clara, a lua brilhava em grandes espaços entre as nuvens, o ar era limpo, noite boa para andar solitário por ali, fumando, mas era um lugar ainda desconhecido, melhor se prevenir com certos cuidados. Como ainda era cedo para deixar a festa pensou que ninguém imaginaria de que se ia pra casa. Quando já chegava perto da caminhonete logo percebeu que sua saída não fora assim tão despercebida, o rapaz veio ao seu encalço.

2 comentários:

lyani disse...

Dauri,
Obrigada por sempre estar presente!
Ly

Paula Barros disse...

E termina deixando o leitor curioso, preso para o próximo capítulo. Mas o próximo capítulo, nem sempre traz o que o leitor quer, traz mais surpresas, e mais mistérios, para o nosso imaginário.

Fico feito o rapaz do balcão...entre o meu exagero em ler, em acompanhar...porque uma boa escrita mexe com o imaginário...

E fico surpresa, ainda, quando me deparo com frases que me trazem um pouco de filosofia, ou da psicologia. Ou trechos feito este abaixo, que fico pensando, de onde ele tira estas ideias..

"com um olhar morno, de chá de camomila, mão leve de barbeiro sobre o cabelo"

um abraço!