30 julho 2010

Inesperado sol

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Olhou para eles com uma decisão inesperada, por ele mesmo inesperada, convocou-os para uma reunião daí a meia hora. Que reunissem quem eles pudessem avisar. Enquanto se dirigia aos que estavam no bar com palavras resolutas se perguntava a razão de se contrariar em seus intentos, já que o que queria e o que devia fazer era fugir dali, mas com aquelas palavras convocatórias sentia que se ia deixando prender. Sim, parecia ser isso mesmo, se ia deixando prender. Sentou-se, bem como se senta um gerente numa mesa, sentou-se ao lado da janela, o olhar altivo ao modo de dizer a todos ali presentes que ele sabia muito bem o que fazia e o que iria fazer. Depois voltou-se para a janela de onde podia avistar uma parte do porto e deixou o olhar cair inseguro sobre a paisagem, senão inseguro, vago e abatido decerto. Ali balançavam ancorados uns barcos que se prestavam a compor a tristeza daquele lugar com traçados de beleza. Não era o gerente, mas ia aceitando aquele velho porto e siderúrgica abandonada. O que seria fácil, virar as costas e se ir embora como fizera com tantos outros lugares por onde passara, não era fácil. Ele era tido por outro, e ser tido por outro dava-lhe a sensação de deparar-se ao andar ao lado do riacho em meio a brumas, muitas brumas em dia de inverno e chuvoso, com um inesperado sol . Já sabia o que iria dizer aos homens que viessem para a reunião, tudo lhe vinha fácil à mente.

9 comentários:

Lyani disse...

Sumi, mas não esqueci. Isso nunca!
Gostei da cara nova do blog, das fotos, as palavras no entanto são sempre belíssimas, isso não muda! :)
Parabéns!
Saudades,
Ly

Mai disse...

Desde os primeiros capítulos 'ele' era chamado de 'gerente'. Um líder não deve fugir às suas responsabilidades. Ele é um HOMEM!
Adorei este capítulo!

beijos

Fernando Rozano disse...

a tua prosa/poesia é inspiradora e me faz aprender a escrever. obrigado, Dauri.(eu publiquei teu comentário, mas ele não aparece no meu blog...fiquei feliz com tua presenaç por lá.) abraço carinhoso.

Homem Hediondo n° 05 disse...

Dauri Jack,

estou esperando tua resposta para compôr a vaga n°02 lá no Homens Hediondos.

Agradeço a atenção.
Sigamos...

Vivian disse...

...sentí saudades de vir aqui.

a porta estava aberta
eu entrei e vou deixar
beijos pra você!

Jacinta Dantas disse...

Estou por aqui, colocando a leitura em dia.
Beijos

Márcio Ahimsa disse...

aos pés inesperados do sol
deita a cólica dos dias,
e o remédio é apenas
uma faca de dois gumes
capaz de separar
o inusitado do previsto
em tábuas...
é o cunho da liberdade
que causa estranhesas.
enfim, quem decepa
a magia de um menino
ao soltar pipas no ar
é a lucidez desnecessária
dos homens...

Abraços.

Ilaine disse...

Dauri! Estou passando para agradecer o carinho e para lhe deixar um abraço. Volto amanhã para as leituras. Saudades!
Beijo

Ilaine disse...

E esta poesia constante em teus escritos...

"Depois voltou-se para a janela de onde podia avistar uma parte do porto e deixou o olhar cair inseguro sobre a paisagem, senão inseguro, vago e abatido decerto."Abraço