12 julho 2010

Inesperado sol

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Um sorriso triste, mas um sorriso, apresentou aquela mulher junto ao balcão. Havia algo de passado, de grande, de maior pelo menos, naquele bar e naquela mulher. Os anos, não muito mais que trinta tinham lhe ressecado os cabelos, a pele do rosto rosada não escondia o fulgor do sol que nele se tinha infiltrado por anos em exposições de vermelhas horas, agora definindo algumas manchas. O olhar expressava simpatia, resignação talvez, e era pela resignação que a simpatia se manifestava naquele sorriso e que ele logo acolheu. O que sentiu por ela, sentiu por intuir que nela corria um destino assim, destes dos quais não se pode mais desviar, tal qual o seu. Qual o dela ele não sabia, o laço entre os dois apenas existia, sem significados e soluções. Se era assim podia se aproximar dela sem medo. E era. Foi o que fez, se aproximou, forjando um sorriso também. Nas primeiras palavras, nos cumprimentos formais, no senhor gerente que ela obdiente lhe dirigiu logo enxergou através daquele rosto uma dúvida, de que maneira se relacionaria com as mulheres, o que surgiria quando seu olhar de cobiça se debruçasse sobre uma delas, revelaria alguma coisa, perguntava-se.

7 comentários:

carolina freitas disse...

Um destino do qual não se pode mais desviar...

é também isso.

Dauri, já vistes: "uma amizade sem fronteiras"? Apesar do título clichê e pouco sugestivo.... vale a pena... tem umas belas passagens. Filme francês de 2003.

Saudades, meu caro.

abç

Carol

EDER RIBEIRO disse...

Os encontros furtivos que a vida oferece estrapola a compreensão e rende boas histórias. Abçs.

Valdemiro Xavier disse...

Caro Dauri!

Passar por aqui é sempre encontrar algo inusitado. Mas, desta vez, além da passagem tenho um convite para fazer.

Cheguei na minha postagem número 100. E esta conterá somente poemas de pessoas próximas que sempre contribuíram para o desenrolar dos versos.

Assim, gostaria que me mandasse um poema, trecho de texto ou qualquer escrito, caso aceitasse o convite de participar da postagem. Pretendo postá-la no dia 29 deste mês.

Fica o convite e o agradecimento pelas leituras, comentários e incentivos que sempre repousa por lá.

Forte abraço.

Mª Helena disse...

O siêncio sutil do encontro de olhares e a empatia dos personagens
deixaram-me com vontade de ir adiante,de ler mais...mas você parou.Lindo!
Abç

Márcio Ahimsa disse...

do inesperado se espera que seja lúcido e brando como um vaga lume
pela vastidão da noite...


Aqui, as palavras se vestem de olhares curiosos, embevecidos.

Valdemiro Xavier disse...

Fico feliz Dauri!
Você pode mandar para o meu email: valdemirox@gmail.com

Grande abraço!

Mai disse...

Sabe, Dauri, a leitura desse texto me levou a imaginar um 'close', um zoom de uma lente gigantesca em que se percebe cada minúsculo detalhe de um rosto.

E sim, os anos ressecam os cabelos, o rosto, a vida, se não nos cuidarmos o bastante.

beijo