07 outubro 2009

V
(O que contais?)

Ali esfaquearam muitas palavras,
puro amor de transformá-las
em carnes de sustento. Mas

aquele não lhe parecia o lugar.
Avistavam-se as ânsias
de dar ao dia o que lhe bastasse.

Olhou a última página,
a mente do poeta entre
as exigências e o tédio;
o espírito do cientista entre
nuvens de gás e o abismo do cosmo.

Por fim o emblema na escolha:
um cristal, a tarde
e o canto de um passarinho.

Na porta de ir embora lhe esperava,
ao lado do sentido possível,
a experimentação de outra pronúncia.

Uma ponte inexplicável
incompletava-se
entre o sol e o coração.
Faltava-lhe um vão.

6 comentários:

Márcio Ahimsa disse...

É nesse vácuo que encontro sempre a minha poesia...

Abraços, amigo.

Juliano disse...

Esse vão eis de ressurgir.

Abraços Dauri

Mai disse...

É é esse descabimento que me faz acreditar que você é mesmo um não-poeta, querido Dauri.
Isso é arte e você é artista.
Isso é fluxo que escapa de vão de cabeça.

Um beijo

Fabiano Mayrink disse...

Oi Drauri, passando pra dar um alo, sua inspiraçao é infinita, sempre com belos poemas!

paula barros disse...

Será o vão que faz as palavras criarem pontes? Entre a mente e o coração,um vão, uma ânsia, metáforas, interpretações.

Ler você é querer saber interpretar, é querer saber ler, saber escrever, saber sentir na profundidade do se perder em si.

beijo

Camilla Tebet disse...

A busca dessa outra pronuncia preenche o vão. Não é assim? Pelo menos eu tenho essa esperança.