31 agosto 2009

Vou cuidar do que escrevo,
e cuidar descuidando,
cuidar sem cuidar,
cuidar deixando.

Meu poema anda
despoemando a poesia,
amor.

Bem,
não sei que amor é este,
nenhum amor que aprendi,
um amor que foi assim
me deixando por aí
nas estradas
do que se pode ler. Gibís,
Gilles Deleuze, Tereza,
Machado de Assis.

Tem resto de terra
no descuido das minhas mãos.
As tintas e os teclados
se partem em despoemações do
mundo. Desdigo-me.

4 comentários:

paula barros disse...

Muitas e muitas vezes sinto uma necessidade te dizer: escreva, escreva...

Sinto que o escrever para você é algo que corre nas veias, feito o sangue, e não adianta interromper o fluxo, e não adianta estancar o que dá vida.

E esse cuidar, é cuidar deixando fluir, deixando sair, deixando vir, deixando escorrer o sangue em forma de palavras, pingando das pontas dos dedos o que não cabe em si, é cuidar dando vida, deixando viver...

um lindo dia.

Maria Helena disse...

MESMO SE DESDIZENDO ,DESPOEMANDO, SE DEIXANDO...TUDO O QUE VOCÊ ESCREVE,FALA OU ATÉ PENSA TRANSFORMA-SE NA MAIS GENUÍNA E PURA POESIA.
MUITO LINDO!
BJS
MARIA hELENA

Mai disse...

é, novamente me fez bem vir aqui ler teus issos e aquilo que eu escrevo e comento também é louquice, Deleuze e Nize...
É lowcura é lowquice, Dauri.

Eu comento feito esse isso.
Me deixo ir e a palavra Sai e vai feito manada de boi doido.

Beijos, amigo loucido.
Eu estou adorando esta série.
E vejo beleza e sentimento contido e transbordando em cada coisa dita. sinto.

Leandro Jardim disse...

"Vou cuidar do que escrevo,
e cuidar descuidando,
cuidar sem cuidar,
cuidar deixando."

bela abertura!