20 julho 2009

Entardecente é a música,
a mãe que diz,
vá meu filho, vá. Se
não der certo,
você volta.


O que se tira, e se retira
do fundo do poço é agua.
Pode também ser mágoa,
ou outra primavera.


A estrada na foto
é ainda mais nostálgica.
Congela a hora
na dor mais aguda.
Só é possivel ir.


O que se diz,
se diz
pelo engano de dizer algo,
um leve contentamento.

5 comentários:

mundo azul disse...

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...bonito! E é a palavra, uma estrada apenas de ida... Uma vez partida, não volta mais!


Beijos de luz e o meu carinho...

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Eurico disse...

Vc me deixou encafifado com a coisa do não-poeta... agora venho aqui para tentar ver o que acontece com teu texto a partir dessa atitude-de-não-ser-poeta.
Acho que tenho a doença da definição e trago a necessidade inquieta do conceito. Busco também, uma palavra que traduza isso, o não-poeta. Estou no encalço dela... rsrsrs

Abraço fraterno.

Mai disse...

E o que escapa, escorre por entre os dedos, pinga em gotas nos papéis que representamos.
Um beijo, Dauri.
Andas escrevendo cada vez mais fodasticamente lindo.
Essa palavra,palavra que escorre, que não se define, fina forma de não ser.

Jacinta Dantas disse...

Sentindo o gosto de seus versos, visualizo as horas de espera, o abraço de mãe...
Visaualizo o caminho.
Bonitas imagens me propôe esse poema.
Beijo

Oliver Pickwick disse...

No fundo, a poesia reflete a rebeldia do poeta, dissimulada de resignação. Porque o "dizer" é exatamente como o fundo do poço, deste, não se retira apenas água.
Dauri, velho amigo, desculpe a ausência, mas o meu tempo tem sido escasso. Teias de aranha já são vistas no condado.
Um abraço!