30 junho 2009

(encerrando estes poemetos de estrada)

O escuro
do universo
pinta estrelas

na noite da estrada.

Há nas cidades
por onde se passa,
em cada lâmpada que pisca,
uma esperança

de uma voz que me chame

e me retire da garganta

o nó. Quem sabe

o que se ilumina no céu
não se ilumine também,
abundância de estrelas felizes,

na estrada que me corta.

***

A madrugada
me ultrapassou,
um fantasma,

e me acordou.

Acolhi com mãos de susto
o coração acelerado

e pensei no sol,

órquídea amarela,
que demora. A viagem

pode ser a poesia

ou a água de pedra
que abrirá a manhã
em rumores de pequenos
filetes formando riachos.

***


Olhar, olhar,
olhar, em silêncio
andar, não me canso de olhar.

Olhar é bom

mais do que falar,
...e cantar.
Por isso ando por esta estrada,

talvez,

para olhar,



olhar. Meu olhar,


a unica coisa em mim que ficará
a cada dia mais intenso até...

até se apagar... como um sol

andar, amanhece
nessa estrada. O que todos fazemos


são esgarçados sonhos de um lugar no mundo.

5 comentários:

Eurico disse...

A estrada continua... no espaço e no tempo.

Abraçamigo.

Ava disse...

Há acasos e ocasos...

Mas ocaso seria muito triste...

É melhor continuar como o acaso...


Beijos!

Maria Helena disse...

POR QUE NÃO CONSERTAR OS SONHOS ESGARÇADOS COM AS FINAS LINHAS DOS RAIOS DO SOL OU COM AS VERDES DA ESPERANÇA? ABRAÇOS
MARIA HELENA

Dauri Batisti disse...

Exatamente isto Maria Helena, por isso o poema termina com amanhece nesta estrada.

Beijo.

Márcio Ahimsa disse...

De esgarçado tenho uma lida, de lida tenho a preponderância onde a infância dos dias me sorri sorriso semi cerrado, nesse fado razoável, onde tolero minhas angústias com a súplica inevitavel de colher alguns sabores nesses rochedos meus.

Muito bom esses poemas seus em fragmentos, pois todos somos fragmentos de um tudo repartido como estrofes de poemas inacabados.

Abraços.