27 maio 2009

(tentativas de explicar o que é ser um não-poeta)

IV

Escrever poemas
poeta que não sou
é embarcar num trem num caminho gelado
e esperar com um livro aberto nas mãos
o sol que se esconde no poema japonês
e se levantará ao lado do ideograma
traduzido como coração. As estações
do amor são distantes, mas são várias.

III

Escrever poemas
poeta que não sou
é arremessar uma pedra do alto do morro
e se desprender dela, não se importar
com sua queda e as ondas do mar embaixo,
mas ir com o olhar atrás do risco do barco
e supor o que Deus canta com tintas azuis
nessa linha incerta de viver.

5 comentários:

Mai disse...

É sim, mergulhar na imensidão...
Mover, mover águas fundas...
Dar as mãos... Sentir.
Beijos.

Avassaladora disse...

Dauri, que delícia essa sua tentatica de dizer que não é poeta...

Quanto mais tenta se explicar, mais nos enche de belos poemas!

"As estações
do amor são distantes, mas são várias..."

Fiquei avassaladoramente encantada!


Beijos em seu coração!

Cosmunicando disse...

essa linha incerta de viver e de escrever... tudo é risco e é traço também =)
beijo

Vieira Calado disse...

Não percebo porque diz que não é poeta...

Eu penso que é.


Um forte abraço.

Eurico disse...

São tuas as tintas, nessas linhas incertas. E cantas, sinestesicamente, cantas, Poeta!

Abraço fraterno.