20 abril 2009

VI

O que se faz nessa lavoura árdua
de tantas palavras
lançadas.
E nada há, nada água.
Lavourar assim se lavoura
pelo prazer
do vinho no fim do dia. Se planta

um canto, um assobio,
e aquele grito que na estrada
se solta,
só pela alegria
de se ir mesmo sem saber
para onde.
Então. Amar a vida.

O menino segue. Não encontra
na caixa a cor que queria.
Desenha
na folha com caneta azul, simples. E deixa
em si mesmo a mancha cerúlea de uma sina,
como mapa
de uma das vias do universo destino.

7 comentários:

Anônimo disse...

Há beleza no plantar. Há beleza no fruto. Há beleza no caminho. Há beleza na chegada. Há virtude em encontrar beleza no plantar e no caminho...
Fraterno abraço!
Charles.

Eurico disse...

A alegria de se estar inteiro no que se faz, lavourar pa/lavras; a alegria da ida pela estrada, a vida: o menino segue...
Que me perdoem os engajados,
mas a arte pela arte nos banha de alegria.

Abraçamigo e fraterno.

Elcio Tuiribepi disse...

Só pela alegria
de se ir mesmo sem saber
para onde.
O bom desse inteiro plantio, não é somente a colheita...mas o semear...um abraço na alma...bom feriado

Rico B. disse...

usualmente costuma celebrar a alegria da colheita. Daí aprendi a me divertir com o semear e a descoberta de que o resultado nem sempre era bem a criativa forma do que normal já seria. Essas coisas de feelings, reinvenções e tal... E sigo assobiando! Abs.

Opuntia disse...

Também na "lavoura de palavras" o que se planta colhe.

Bjos

Jacinta Dantas disse...

Tem uma brincadeira, que eu gostava muito,em que as pessoas se descontraem cantando uma música a partir de uma palavra que é pronunciada por um membro do grupo.
Nesses dias, estou meio assim, quando venho te ler. Encontro sempre uma palavra que me remete a outras palavras. Nesse, o que imediatamente vem a minha lembrança é outra palavra sua. Acho que o título é "filhos da satisfação".
Bommmmmmm!
Beijo

Dora disse...

Oi, Dauri. Saudade de ler você.
E de revê-lo.
O poeta é um lavrador de palavras. Mas, seu "lucro" não se mede pelas leis do mercado.
Seu prazer se concentra no plantio a esmo e na recompensa do "vinho" no entardecer.
Semear a vida, dissolvida em palavras, e nada esperar da colheita, ou esperar o imponderável...O que vale é "lançar" a alegria.
E, como o menino, usar a caneta "cerúlea", que aponta a cor do céu límpido em qualquer direção que o vento lhe sopre o destino.
Uma lição de amor à imprevisibildade da vida ou da vida-em-si.
Um abraço apertado.
Dora