06 abril 2009

Despedidas IV
(estou abrindo meus "issos" com fragmentos
de despedidas dos amigos blogueiros)

“Por coincidência Dauri
estou me despedindo também,
mas só dos poemas".
ederprosias.blogspot.com

O adeus me tranqüilizaria?
Parece doce. A coragem

que eles tem de dizer adeus
me desestabiliza.

Sinto vontade de dizer adeus também. Ei,
tu que me vês, adeus. Tu que me lês,
adeus. Tu que me seguras, adeus. Largar
tudo aos céus, aos ventos, aos vales,
aos mares, às montanhas...

Esvaziado não haveria mais
ânsias. Só amor. Quase solto o cabo da nau.

As últimas amarras me põem a escrever,
a poesia se perde, mais uma vez. Meu Deus!

O dia avança,
a tarde se ausenta de mim,
caio na noite mais cedo.
(Vou marcar com cruzes
quantos são os medos que demoram a aurora)

12 comentários:

Bianca Gonçalves disse...

Despedidas... Percebi o quanto preciso me despedir de conceitos e sentimentos enraizados em minha história. Um renovo há de surgir, apesar da dor do que nos separa de nós mesmos. Começar de novo, ou de novo começar? Difícil será achar o início ou quem sabe o final de tudo aquilo que é entulho em mim e se estabilizou tanto, ao ponto de, por vezes, cristalizar-me. Faz-se necessário despedir-me, revelar-me... Olho no olhar... Um profundo encontro de almas!Eu, comigo...

paula barros disse...

Oi, Dauri

Esse é um "isso" que mexe comigo.

Fico aqui, relendo, e teria o que dizer de cada frase.

Lembrei de um trecho de música que não me sai da cabeça, faz mais de 15 dias...."vamos fugir, desse lugar..."

As vezes queremos ir...

abraços, um bom dia.

Germano Xavier disse...

Elegíacos?

ou poemas de renascenças?

Abraço forte, Dauri Jack.
Continuemos...

Vivian disse...

...existem as despedidas
escolhidas, e aquelas
impostas.
ambas devem ter o sabor
do entendimento.

e quem de nós simples mortais,
hora ou outra não nos tornamos reféns destes momentos?

sorry lindo,
viajei nestas tuas palavras.

bjuss

Eurico disse...

Fica, homem! Quem marcará em teu lugar as cruzes que adiam a aurora?
Estou vendo os que se vão embora.
Estarão correndo à busca da aurora?

A aurora está aqui e agora.

Abraço fraterno.

Saara Senna disse...

Olá Dauri!

Adeus?? Como assim... pra onde vais?? Vai nos deixar sem ler seus belos poemas?? Poxaa que pena!

Beijo grande e Feliz Páscoa!

Jorge Elias disse...

Cada despedida é uma saudade.
E como disse Guimarães Rosa : " A saudade é um tipo de velhice" (ou algo assim).
Já pensei em me despedir do Blog. Faço isso sempre que me lembro das razões primevas que, habitualmente, nos levam à postar nossos textos.
Fico mais leve quando me isento, e aos outros, de deixar comentários que não agregam nada ao texto.
Por outro lado, para nós que escrevemos por necessidade ABSOLUTA de subsistir no Mundo absurdo - principalmente quando tentamos sinceramente contribuir com o que temos, ou podemos, escrever de melhor - a troca com o leitor é o fechamento do elo.

Um grande abraço,

Jorge Elias

Oliver Pickwick disse...

A poesia não se perde jamais. Às vezes, a eficácia dos seus efeitos são subterrâneos. No bom sentido desta palavra, é claro!
Um abraço!

Dauri Batisti disse...

Caro Oliver, a poesia pode se perder nos poemas. Então ficam as palavras.

Obrigado pelo comentário.

Márcio Ahimsa disse...

Os medos que demoram a aurora são os medos que se escondem lá fora, à espera de qualquer desembrulho para se libertarem.

Abraços, Dauri. Muito legal essa tua série de despedidas.

Beto Mathos disse...

Quantas vezes já perdi a poesia, meu amigo. Quantas vezes já disse adeus. Benditas são as amarras que nos socorrem e nos põem de volta ao mundo da pena, ao mundo da letra e ao mundo que nós mesmos criamos.
Falta de você no meu blog.
Grande abraço!

EDER RIBEIRO disse...

a poesia é esta cruz, com cravos me prega na dor. adeus? adeus... há deus? uma feliz Páscoa em harmonia e paz.