03 março 2009

III

Nada. Só um leve soprar de vento.
A página indecisa. Virar-se ou não.
A página leve, seca, a ponto de rasgar-se
ou desfazer-se em cinzas. Livro de atas,
outra era a imagem antes,
páginas densas de palavras,
relatos de ganhos, lucros. Nada.
Nenhuma flor. Atas.
Contas que não contam mais.
Glória do passado é nada.
A capa preta com letras douradas
no chão. Papelão. O vento soprando
e a página indecisa entre virar-se ou não,
ou rasgar-se, folha seca no vento levada
pelo pátio em meio à sucata,
velha fábrica,
galpões do século vinte.

14 comentários:

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDO DAURI, GOSTO MUITO DE TE LER AMIGO... ADOREI ESTE POEMA... UM GRNDE ABRAÇO DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDINHA

Márcio Ahimsa disse...

Galpões do século vinte, ouvinte, o som espalhado, o tom enovelado pela cápsula da sorte. Um tormento, pernas entrecruzadas num anseio quase primaveril, quando as rosas desabrocham para mostrar os dentes de pólen, um sussurro e um vício, aquele resquício nostalgia bandeando a suadade de lado, como um chapéu de abas curtas, que encobria a franja em brilhantina, sapatos lisos e lustrosos, o vento assoprando alumbramento...

Ei Dauri, não resisti, rs.
Gostei dessas asperezas.

Abraços, amigo.

paula barros disse...

Me chamou a atenção "a página indecisa" - porque quando indecisa ficamos ao sabor de muitos ventos.

Outra frase que me chamou a atenção foi - " Glória do passado é nada".


que bom que atualizou. beijo

lyani disse...

Saudade que estava das tuas palavras. Da poesia letra a letra, encrustrada em cada uma delas.
Bjos,
Ly

Deusa Odoyá disse...

Olá meu novo amigo.
Passei para conhecer seu blog e Adortei esse poema.
Voltarei mais vezes.
Uma semana de muita paz, amor e luz.
Beijinhos doces, meu amigo.
Regina Coeli

Avassaladora disse...

Dauri, a sensação que tenho, é que estás a revirar escombros... Um passado representado por velhas lembranças... Vidas vividas e que deixaram marcas...
São nossas raizes.. por mais que doa... são nossas raizes!
Pelas fotos da casa da fazenda, percebe-se que tiveste uma infância linda! O cenário é de sonhos...
Que bom que estas revivendo isso, atraves da poesia!


Um beijo carinhoso!

Borboleta disse...

Que prazer é este estacionado em tua mente,
Que lhe deixa fincada nessa gazua,
gelada e geniosa.

Mai disse...

Palavras que falam da cama onde deitam...
Gosto do som de tuas palavras mas também das imagens... E sou muito sensorial logo me chegam os cheiros de papéis amarelados dos velhos livros de atas...

Abraços,

Mai

coffee-break disse...

contas que não contam mais... sendo levadas em pátios de galpões do século vinte... viram poesia no século vinte e um!

e da boa...

boa sexta-feira! :)

Germano Xavier disse...

Ah,"essa coisa assassina que é escrever"...

Cortázar


Abraço forte,Dauri.
Continuemos...

Tatiana disse...

Hoje decidi visitar todos os blogs que acompanho.

E é com imenso carinho que
venho lhe desejar
um belo final de semana

Um abraço carinhoso

Opuntia disse...

O vento dá vida à página, mas aumenta a sua dúvida: virar-se ou não, rasgar-se ou não.

Belo poema!

Jânio Dias disse...

Suas asperezas são como o sobrar de um vento doce.

Abraço, Amigo.

Oliver Pickwick disse...

Conflitos entre o escritor e a sua pena, ou folha de papel. É da natureza dos poetas. Curiosamente, é motor-gerador de versos. Como estes.
Um abraço!