21 março 2009

XI
Encerrando a série per aspera ad astra

Fim das rosas, os espinhos secam,
tornam-se mais pontiagudos; outra florada
é incerta. Dias que se anunciam
com esplendor logo são séculos passados,
sombras quebradas de um jardim tomado pelo mato.
A vida floresce linda demais em rosas amarelas,
até se pode crer que o vergel será sempre florido.
O sol se levanta como se a tarde só fosse
um capítulo a mais de uma ficção que se lê
em horas vagas. Mas, olhando bem, se vê,
sim, se vê, se percebe, se reconhece paisagens,
paisagens que escrevem naturalmente
o fim das rosas, e os espinhos...
O sol segue em declive para a despedida do dia,
destinos de adeus que nunca cessam. A lembrança -
rosas, pessoas no jardim, sorrisos - forja
pensamentos mutantes em torno do mesmo ponto:
per aspera ad astra. O coração cheio de mundos,
volta-se para o horizonte já bem anoitecido,
e apoia o olhar nas estrelas.

6 comentários:

Eurico disse...

Tuas insignificâncias são estrêlas. Per aspera ad astra.
Quisera que toda a minudencia, tudo o que se julga sem valia, caia nas mãos de um poeta como você, amigo.
Desse modo reciclarás as coisas miúdas e com elas criarás galáxias.
Per aspera ad astra.
Abraçamigo e sempre cheio de admiração.

Efigênia Coutinho disse...

Dauri Batisti
Como você escreve bonito, voltarei outras vezes para acompanhar suas letras da alma, com admiração,
Efigênia Coutinho

Opuntia disse...

O fim das rosas associado ao fim do dia me parece o fim de um ciclo de vida. Que recomece outro, com o brilho das estrelas!

paula barros disse...

"O coração cheio de mundos"

E são muitos os mundos, fiquei pensando.


beijo, bom domindo.

Avassaladora disse...

"O sol segue em declive para a despedida do dia,
destinos de adeus que nunca cessam..."

Dauri, só fico me perguntando, como e em que instante, vc cria algo tão belo?
O prazer em ler vc é orgástico...

Beijos e carinhos!

Jânio Dias disse...

Quando a noite cai, quando o dia se vai, não é quando recolho-me. É quando começo de novo.

Abraço, Amigo.