17 fevereiro 2009

(vou seguindo com a série “Um mundo numa cozinha”.
É, este é o nome que escolhi. Depois da série com números,

optei por escrever escancaradamente sobre sentimentos.
Eis o pequeno menino sentindo suas coisas... numa cozinha).

III

Esgarçava-se o véu do dia,
fiapos leves voavam, pelos de flor,
paina seca no vento macio.
Como não sofrer? Tudo se ia.
Suavemente o dia, girassol

que pesa ao fim com sementes untuosas

alquebrado pelo fogo e pelo céu.
Recordar o pintinho que jubiloso eu ajudara
a romper a casca,
o bezerro com remelas nos olhos
que eu acariciara,

a corrida a levantar uma galáxia de gotas

no raso arenoso e espraiado do córrego
em nada ajudava. Eu sofria,
logo antes do por do sol, logo depois do por do sol.
Tudo se ia suave e impiedosamente.
Minha mãe nunca vinha.

Encolhido na soleira da porta

acabrunhava-me em meus frios.
Me deixavam quieto. Sabiam. Eu não.
Depois me colocava perto do fogão
e mexia nas brasas. Puxava uma ou outra para fora
e me entretinha com o vermelho que se empretecia.

Uma brasa anoitece.
Eu não sabia

...que a vida era assim.

8 comentários:

LUiA disse...

Dentro de cada um de nós vive uma criança, que pode estar presa ou livre, dependendo das situações...
Minha criança livre está adorando ler esta série!
Abraços de LUiA

Gustavo Caversan disse...

Dauri, a série está encantadora!
Parabéns!
Um forte abraço!

paula barros disse...

Toda vez que leio - Minha mãe nunca vinha - eu choro.

O menino veio escancarando meus sentimentos.
O menino veio escrevendo os sentimentos fortes e de forma poética.
O adulto pode negar que escreve poesia, mas a criança é espontânea, é verdadeira, e trouxe sentimentos, trouxe vida, trouxe poesia e encanto.


Depois que a criança revive, o adulto nunca mais será o mesmo


beijo

Ramon Alcântara disse...

Ar de Marcel Proust....


abz

Mai disse...

Comovente não é a melhor palavra mais foi a primeira que me ocorreu ao ler esse texto e olhar a foto da fazenda, ao lado.
Porque moro numa serra onde existem inúmeras fazendas coloniais com cozinhas e senzalas preservadas.
Vejo o verde e sinto o cheiro da fumaça delicia de sentir e que exala vida na fazenda.
Emoção e a palavra que me vem neste momento.
E eu saio em silêncio, agora.
...

Wellington Felix disse...

Se a vida é esse doce partir
e a singularidade desse olhar
nos leve sempre nesta estada breve

Germano Xavier disse...

O menino e sua cozinha gigante!

Mundo despertado após a porta...

Abraço, Dauri.
Continuemos...

戴佩妮Penny disse...

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