04 novembro 2008

O azulão me autoriza

Um desejo, fugir,
no entanto, aqui me ponho de pé, presente.
Estabeleço os olhos nas montanhas ao norte,
doem-me os ossos, permaneço de pé,
jacarandá, sucupira, peroba.
O pensamento veloz me diz,
honra e respeito no primeiro olhar,
honra e respeito no segundo olhar.
Penso outro pensar sem saber o que penso,
suponho, devo olhar pelos olhos dos pássaros.
O pensamento veloz me diz,
o olhar que se demora em carinhos
contorna todos os lados
e derrama-se para dentro,
nos dentros mundos dos olhos.
Lá se enxergará a palavra certa
e com ela deve-se descer ao fundo
ao fundo do fogo, à brasa,
ao vermelho, ao sangue,
então se dirá o que se quer dizer,
então se dirá exatamente a leveza,
o perfume, a cor do que se quer dizer.
Estremeço calado. O sol cai
e não há alegria. Nem inspiração.
O pensamento veloz diz,
dança o circulo que desenhaste
sem deixar que passem as horas.
Pára o universo com o chocalho.
Danço, danço, danço
nas estrelas, nos cometas
nas ardências da fogueira,
enquanto me entra pelas narinas
um ar frio de chuva fina
e me torno amor, brejo, beijo,
brasa, flor, azul, natural,
igual à tudo que me rodeia,
pedra, gravetos, folhas, lagarto.
Endendo-me, tenho a chave
num breve e doce momento.
Na madrugada quando o fogo se apaga,
o azulão se arrodeia de mim
e canta uma força que me autoriza: diz!
Eu digo.

15 comentários:

Tatiana disse...

Vim apreciar...
E desejar-te um dia repleto de dádivas!
Belos vôos em sua inspiração!

Abraço carinhoso

Eurico disse...

Faça-se Poesia! diz a ave azul. E eis a poesia em toda a plenitude, Dauri. Eis o poema-pássaro, imperativo e numinoso. Diz! E nós somos contemplados com a estesia no poema.
Abraçamigo.

Alex Sens disse...

Um dos teus melhores, Dauri. Imaginei-me namorando ou lendo, com a lareira acesa defronte, um friozinho lá fora, o azulão...
Muito bom.

Um grande abraço.

Jacinta Dantas disse...

Bonito esse seu fazer. Vou acompanhando essa gostosa série em que, por hora, vejo-me na roda viva de diversas formas de vida: Sou a roda, estou na roda, a roda está em mim e somos azul e verde - Terra.
Beijo

Vieira Calado disse...

Respondendo:
amador ou não, você é poeta!

Bem haja.

Dora disse...

Primeiro, as sensações, os sentires, o mundo a entrar pelas narinas, pelos olhos, pelos poros.
O pensamento não pensa( impossibilidade essa?).
E só depois de bem "sorvido", o universo ordena, pela voz do azulão, que se faça linguagem. E só então o poeta "diz" sua palavra.
Boniteza!
Beijos!!!!!!!!!!!!!!
Dora

Yuuko-sama disse...

nossa vc escreve mt bem viu
^^

tossan disse...

Poesia pra mim é como a sua. Abraço

Camilla Tebet disse...

palavra certa...
diz..

Marcos Campos disse...

E salve o azulão...que ele viva para sempre!!!
Abraço!!

Carla Silva e Cunha disse...

ola


gosto do seu blogue e por isso passarei por cá mais vezes.

Boa semana

http://arte-e-ponto.blogspot.com

dácio jaegger disse...

Este poema Dauri me remeteu de imediato a uma pequena mata da minha vida atual. Nem o lagarto faltou. Obrigado pelos votos de sucesso ao Palimpnóia. Abraço.

Elcio Tuiribepi disse...

Nos dentros mundos dos olhos.
Lá se enxergará a palavra certa
e com ela deve-se descer ao fundo...Ao fundo sem fundo, diria eu, se for preciso, afinal...já tens a chave...Um abraço...

Tatiana disse...

Que a chave te supreenda abrindo caminho a cada dia mais iluminado!

Um dia de muitas dádivas para você!

Meu abraço carinhoso

Mai disse...

Muito bom. Cheguei aqui por trilhas que nem imaginas. Que bom ter encontrado mais um espaço inteligente para alimentar os meus sentidos,cérebro e emoção. Tudo o que lí é original. Voltarei.
Abraços.