13 novembro 2008

Fragmentos de um coração que busca visões

Desato a andar,
sigo pela praia,
subo o piraqueaçu,
remo, remo,
vou seguindo rio acima
para dentro do coração da terra.
O mar vai ficando, ficando,
as visões ainda são sonhos
dentro de mim, não me podem aparecer.
Largo a canoa, sigo a pé,
quando o caminho fizer a curva,
na hora certa, vou pender
pro lado do coração.
Oferecerei e plantarei meus sonhos,
a terra carinhosamente responderá.


... e depois eu ouvi,
retorna às montanhas,
abre o sol da porta e atravessa o deserto.
Não te assustes com o brilho
e com as sombras.
Toma a trilha do lagarto e
volta.
Encontrarás um vento forte
que te aliviará de dores guardadas
e te sentirás com os pés
firmes no chão.
Volta,
retorna para os montes.
Quando o lagarto cruzar com teus passos
terás uma possibilidade
de estar no lugar certo de uma visão.

6 comentários:

Coringa disse...

Tão concreto.. Tão concreto?

Eurico disse...

Teus personagens vão nos conduzindo...será que encontraremos contigo as visões?
Abraçamigo.

Beatriz disse...

Versos que possuem o poder de nos mostrar para muito além daquilo que o nosso olhar apreende.

Um raio de luar nos teus sonhos.

Artista Maldito disse...

Olá Caro Dauri

Tão cheio de imagens este poema, o coração da terra a guiar os passos, o sol da porta, seguir o trilho do lagarto, tão aconchegado à terra, à Mãe-natureza. Subindo o rio, indo ao encontro da nascente...assim se cumpra esse destino e continue a ser fecundo.

Um beijo de amizade
Isabel

Átila Siqueira. disse...

Muito interessante esse seu poema. Me pareceu ter nele uma áurea de magia e de natureza. Tipo sabedoria popular, com um pouco de pensamentos de um eremita.

Achei muito interessante, e me senti andando junto por rios, montanhas, em meio a pensamentos profundos e existências, e a uma contemplação profunda da natureza.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

Mai disse...

Novamente genial! No words enough!