20 setembro 2008

A ilha, o avião, o conto sem graça, o olhar...

A ilha esconde,
por detrás da montanha de onde tudo se avista,
a pista de pouso esburacada
onde está o avião quebrado invadido
pelo azul de mais um dia sem hora.
Parece tarde. A página é virada.
Ele anda em círculos, no topo, com uma ferida
a sangrar na mão. Acena com uma bandeira.
A felicidade, uma promessa,
grita-lhe nos escuros do coração:
fecha os olhos, fecha os olhos,
é setembro, aguarda. Mas ele não espera,
ele olha. Olha em trezentos e sessenta graus.
O raio do olhar é seu ultimo poderio.
Nenhum avião, nenhum barco,
somente a vida latejando na mão
que umedece de vermelho-férreo a haste da bandeira.
O pedido de socorro tremula cores de sonhos.
O coração é um mar, um mar, mar.
Nada é original, o conto sem graça.
Amar é esperar mesmo sem constelações um sinal de luz, pensa.
O mar se torna só ruídos, assustador, o dia perde a cor,
providenciará lenha, fará outra fogueira.
Me vejo.

13 comentários:

Jéssica disse...

Só não esquece que, por mais que maior seja o amor, esperar cansa.


Perfeito demais. Adorei, mesmo.

Dauri Batisti disse...

Amigo,

estou escrevendo uma série de poemetos em que dou voltas em torno de um ponto e tento me aproximar dele. Este já é o quarto, se você quiser conferir é só olhar os posts anteriores. É um exercício, uma brincadeira, um lance legal com setembro.

Ilaine disse...

Dauri, poeta!

Estes versos de setembro são lindos e um pouco melancólicos. Falam da vida que é pontilhada de sentimentos. Palavras suas que falam de uma busca... Que falam de sonhos.

Beijo

poetriz disse...

"Amar é esperar mesmo sem constelações um sinal de luz".

E numa ilha ainda, imagino que não haja nada mais além de esperar algum sinal.
Seja estrela no céu.
Seja avião pra salvar.
Seja amor pra condenar...

Bjs!

Dauri Batisti disse...

Amiga poetriz, mais do que esperar é importante fazer fogo, mais do que esperança é o amor-fogo que importa para o personagem do poema, e penso que para todos. esperar é pouco, é urgente o calor.

Opuntia disse...

Que lindo poema! "A felicidade é uma promessa". Setembro promete, a primavera traz o verão; dias luminosos, floridos e quentes virão.

Amadora de palavras sou eu. Vc sabe usá-las mt bem.

Obrigada pela visita. Volte sempre!

Tatah Marley's Confissões disse...

perfeito!
é de sua autoria!?
beijinhos
;*

Jo disse...

Esperas marítimas
adernadas de azul
...
Faze de lenha
as expectativas
veja como muda
as cores da fogueira

:*

Vivian disse...

...amar é esperar...esperemos então o final deste ciclo primaveril/melancólico, mas poético encantador...muahhhhhh

mundo azul disse...

...os questionamentos da vida.
Há um tanto de melancolia em suas palavras, traçadas num ótimo texto!


Beijos de luz e o meu carinho...

Maria Helena disse...

Quisera ter palavras para exprimir toda a beleza do seu poema.Mas só sinto...
Belíssimo!
Maria Helena

eder ribeiro disse...

O QUE EU ACHO INTERESSANTE NOS SEUS POSTS É QUE VC BRINCA EM FAZER POESIA E DESSA BRINCADEIRA FAZ ARTE, E TE LER É TB EXERCITAR DESSA MESMA BRINCADEIRA. VALEU BRINCANTE. ABÇS.

Luis Eustáquio Soares disse...

salve, poeta, que agradeço sua visita, voltando te ler, como quem espera o encontro da fome de extensão da prosa, com a intensidade de poesia.
meuabraço,
luis de la mancha.