30 maio 2008

Sombrinha vermelha

A moça bonita cansada Maria
comprou uma sombrinha vermelha.
Não era o vermelho que ela queria,
mas era o vermelho que mais se parecia
com a outra sombrinha do tempo passado,
tempo perdido, tempo que corria
quando era cheia de sonhos menina.
O doutor andou preocupado
com os gastos de energia.
Ele ganha muito dinheiro
mas muito mais ele queria.
Por isso ele desligou as luzes da própria vida
e tirou as lâmpadas e a tevê do quarto da Maria.
O Peão de rodeio, sem pai e sem mãe, vaqueiro,
juntava um dinheiro pra comprar uma casa.
Em maio no fim da tarde linda ele casaria.
Caiu do touro, campeão que seria,
levou uma pisada no peito, morreu.
... e a Maria? Sofreu, sofreu
... por um tempo,
depois encontrou outro rapaz e casou.
Um sujeito esquisito que lhe proibiu de sair
com a sombrinha vermelha.
Só com a amarela é que podia.
Assim tudo seguia...
Até...
Até...
Até que o mundo acabou.

9 comentários:

Luis Eustáquio Soares disse...

é sempre assim,poeta, o horizonte das escolhas, a que somos implicados a desejar, principalmente tendo Marca de Caim na testa, sendo mulher, gay, pobre, latino, negro, amarelo, baixinho, sem lá; é sempre assim,o desejo a que nos atrelamos, nos pescamos a nós mesmos, quando alcançados, nos impõe esta condição: abandonar-nos.
meu abraço,
luis

JOICE WORM disse...

Como sempre, poesias cheias de sensações e profundidade inteligente! Adorei, Dauri.

eder ribeiro disse...

Dauri até que ponto somos livre o suficiente para ter o poder de escolher, ou até qto suportamos pelas escolhas erradas? O que eu adoro nas tuas poesias, é que na tua maneira de transmitir sentimentos vc alcança algo maior, nos instiga e nos faz nos confrontarmos conosco mesmo. Abçs.

Octavio Roggiero Neto disse...

era uma vez uma menina que queria um vermelho da cor da sensação original, um vermelho-saudade era o que ela sempre via, insuprível, perdido no tempo, inesquecível, vermelho indelével na retina. vermelho tão sonhado que nem o mesmo seria igual. até que um dia o tempo amarelou os sonhos!

uns caem do touro; outros, do cavalo.

Eurico disse...

Somos forçados à escolha, Poeta? Escolhemos as palavras e os temas ou somos escolhidos por eles?
Deve haver um feixe de possibilidades. Meu Deus!!! Deve existir...ou não.
Abraçamigo.

Dora disse...

Poeta: nada foi como Maria queria, como Maria "tão" pouco pedia...
"Cansada Maria". ( cansadas quantas Marias! há...).E vive assim a Maria, de "sombrinha amarela" mesmo...Até que o mundo acabe. Para ela. E para cada Maria dessa vida ..."mariana".
Abraços!!
Dora

Pipilo Cazuzete disse...

Trágico e lindo, "o mundo acabou" um consolo para as Marias que vivem sem rumo e vivem presas. Muito bom! abç...

balboa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
balboa disse...

ví muito manuel bandeira nesse seu escrito. não se sinta ofendido, para mim não há elogio maior.
bravo!