07 abril 2008

Numa velha chevrolet

O tempo anda
e manda me seqüestrar.
Ao me levar
rindo... rindo
quase a zombar de mim
por não poder voltar
me mostra em flashes
prazeres que passaram lindos
quando menino
anos setenta
eu, meu pai, minha mãe, meus irmãos
numa velha chevrolet cabine dupla
numa longa estrada empoeirada
indo... indo...
tomar banho de mar.

8 comentários:

Beto Matos disse...

O mar é constante em seus poemas, mas, neste, tem um cheiro de infância. Bacana, me fez recordar...

alua.estrelas disse...

E que delícia essa brincadeira do tempo... Ele que zomba e ao mesmo tempo cura tudo... Adorei o texto. Muito gostoso.
Bjos.

:: Daniel :: disse...

Eis aí o prazer da memória, amigo Dauri. Lembranças em curta-metragem, como essa sua.

Abraço!

:: Daniel :: disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mike disse...

Nostalgia te seqüestrando, te tirando do momento atual e levando para o cativeiro das lembranças... infância em flashes, dos anos setentistas, da velha chevrolet de cabina dupla... banho de recordações.
Teu texto tem cheiro e textura.
É um texto para degustar e não somente para ler... é um trajeto numa longa estrada empoeirada, em direção ao mar/infinito.
Grande abraço

Alice disse...

Nooooossaaa ! deu saudades até em mim !
abraços
Alice

Plinio Uhl disse...

esse texto e o anterior são de uma simplicidade belíssima.

mas este, em particular, casou com um texto que li 3 dias atrás e ainda trago um trecho comigo: "um dos axiomas determinantes deste século tem sido que as pessoas não querem mudanças, mas a ilusão da mesmice. O século XX não nos concedeu nada mais do que uma mudança tumultuada e constante e não pensou em nos perguntar se queríamos isso ou não".

saudades acumuladas...

abs.

F. S. Júnior disse...

poxa, Dauri, isto ficou muito bonito... imaginei vc em sépia, numa caminhonete verde, vc e seus irmãos, pequenos, fazendo festa, à caminho do mar... muito bom...