26 fevereiro 2008

Retoma ó homem teus cavalos
(terceira exortação do honorabilíssimo)

Retoma ó homem teus cavalos que se desgarram
e erram por estradas sem surpresas,
em linhas retas, fáceis, em telas planas.

Haverás de chorar o prejuízo
quando tão longe do teu sítio eles estiverem
e não mais souberem contigo o caminho

das montanhas, razão dos teus olhos.
Apeia desses dígitos em que montastes
em levezas, perfumes e planícies de charcos.

Teus cavalos morrem em andanças
sem horizontes, sem amplidões e sem nobreza.
Tu, sem que percebas, morres do mesmo mal.

Num minuto contudo poderás resgatar
a inspiração, o ar livre, a generosidade e manter
a única palavra que importa a um homem: a de honra.

Basta que decidas e tomes a rédea;
Larga o lápis, a caneta, o teclado;
Arranca-te desse mundo rumuroso e retoma teus cavalos.

(Eis mais um poema- exortação de um personagem para o autor do blog)

6 comentários:

Luiza disse...

Caro Dauri!

O honorabilíssimo está pegando pesado ...
Ele em seu pântano insiste em desalentar o poeta, ofuscar seu brilho, aprisionar seus sonhos!
Como se o poeta não tivesse dignidade, coragem, brio...
Ahh..os cavalos sempre voltam!
A cada dia estás a brincar, nesse faz de conta com destreza de tirar o chapéu!
Desta série, eis minha preferida!
Linda!
Me desculpe pela viagem, se falei bobagem...adorei!

Abração!

Dauri Batisti disse...

Muito boa Luíza essa sua palavra:
"ah, os cavalos sempre voltam!" Sinal de que entendes de cavalos.
Adorei sua percepção do poema, resumida nessa frase.

Seus comentários são sempre especiais.

Loba disse...

uma exortação que se amplia na minha interpretação.
faço das suas as minhas palavras, mas nas minhas os cavalos nem sempre voltam. às vezes se perdem construindo outros destinos. porque há pressa em se fazer novos caminhos para um bando de crianças que desde cedo abandonam o que nem se pode chamar ninho.
como vê, poesia é magia. e a oração individual de cada um de nós! rs...
beijo poeta.

Mike disse...

Deus-cavalo, aquele que entorpece, altivo na sua pose, imponente, sensual e que pulsa, intenso, nas veias.
"Cavalo, cava uma caverna na minha cabeça e faz dela tua cabeça de cavalo."

Teus versos são sempre saborosos, surfam na boca e encantam na essência.
Grande abraço

Dauri Batisti disse...

Mike,

receber seu comentário me deixou lisonjeado.
Especialmente pelos seus comentários sobre os escritos do Gamella vejo admirado sua capacidade de análise.
Valeu.
Agora, me diga, de quem é o bonito verso entre aspas?

Mike disse...

Grande Dauri...
engraçado este teu comentário, já que eu sempre te leio, o lance é que tenho uma certa resistência em comentar poesia, principalmente as tuas q são tão oníricas... tenho sempre receio de ao comentá-las racionalizar de uma tal forma que possa desta maneira desviar a essência de sua experimentação. Na maioria das vezes, saboreio teus versos e vou experimentando-os ao longo do dia.

A frase é de um texto meu, que publiquei hj no meu blog em sua homenagem.