29 novembro 2007

Caminho do pescador

Na reborda leve e borbulhante do arrastado traço
que o barco de pesca deixa sobre o inquieto mar
vai um anseio em respiros curtos definindo um caminho
que de longe, pensativo, avisto perdido em pensamentos.

Eu me posto com olhos bem amplos procurando,
quem sabe, na reborda do corte azul das águas de sal
uma inspiração alvissareira que me alcance o sabor,
vida intensa para abrir o peito e soltar todos os pássaros.

Se de todo não me dá a força de um sacramento
esse olhar que segue a linha azul do caminho do pescador,
pelo menos por ele me reconheço casa simples caiada nova,
barco reparado com nome novo deixando o estaleiro,
janela aberta pelo vento batendo forte.

O certo é que certas aflições que apertam o peito
descem com a maré lentamente e vazam
quando me apercebo seguindo aquele traço de espuma
até que o barco debandeie para depois do horizonte,
quando estranho, areado, ferido sem dor, retorno para casa.

4 comentários:

Anônimo disse...

Poesia sempre faz bem, especialmente quando ela nos relembra que olhar o mar nos renova as forças.

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog.

Jacinta disse...

"...seguindo aquele traço de espuma..." coloquei meus pés no mar, no final da tarde de hoje. Estava soprando um ventinho bom que deixou o tempo- o meu - bem agradável. Aí foi só caminhar pela areia, deixando a água me tocar, de vez em quando. Voltei pra casa com uma leveza!!! Amei o que você escreveu hoje.

Jacinta Danta

Jorge Elias disse...

É Dauri... fiquei com inveja da Jacinta.
Passei para ler seus versos e deixar um abraço.

JEN