26 outubro 2007

Outro fragmento

... vou
nesse vôo com asas molhadas,
viver o destino que me preenche e me pesa
me puxando pro chão,
Pro pó.
Poesia,
recolhe meus pedaços!
Proposta que me faço - sonhar.
Propósito que desfaço – só viver, sobreviver.
Por intercessão da mesma poesia,
embriago-me.
Não me embriago, tomo um porre.
Ressaca horrível. Que coisa!
As ruas não chegam a lugar nenhum.
O calor faz coçar cada poro.
Esporos de flores que jamais vão nascer
ficam grudados na pele molhada de sal
das marés avançadas do mar sem praias
do vazio que como oceano
me invadiu onde não poderia
sobre os casebres poucos que eu construíra
ao longo dos anos de trabalhos penosos
- como imigrante - em busca de outras fronteiras.
O melhor é encarar a vida, o destino, tudo
como uma terrível e deliciosa brincadeira.

4 comentários:

Anônimo disse...

Essapalavra é muito legal. Voar com asas molhadas não deve ser fácil.Assim é a vida mesmo.

Jacinta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jacinta disse...

Escutei uma expressão bonita num programa de rádio que dizia: "chuva de raios de sol". E como "essapalavra" irradia o novo, meu pensamento sai por aí voando, constatando que entre o menos e o mais, num instante estamos molhados, encharcados, noutro uma aridez nos invade e seca, resseca, em chuva de raios de sol.
E de novo precisamos molhar a alma e, mesmo com asas secas, quebradas, continuamos a voar para chegar onde é preciso chegar. E isso é bom.
Jacinta Dantas

Ana Paula disse...

Amigo.

Seu blog está cada vez mais interessante. Gosto muito do seu jeito de "brincar com as palavras" tornando-as suaves e profundas. Sugere reflexão.
Por quê? não sei. Mas sei que "exagero de azul" inquieta-me o coração. Reporta-me aos jovens adolescentes que, como o "esperto peixe" podem se tornar presas fáceis do deslumbramento e do brilho. E aí, é urgente a necessidade de "óleo, ou paciência, ou amor" para o pleno alvorecer dos nossos futuros adultos. Ah! sei lá. Viajei legal. Pobre do meu coração com suas inquietudes.

Ana Paula