13 setembro 2007

Andante

A lendária ruína se avistava de longe
bem no alto da montanha infecunda.
O andante perguntava que ilusão aquela teria sido
de construir em região tão deslembrada,
só trilhas, montanhas escarpadas, terra batida.
Com o eco a pergunta voltava e batia nele com força
indagando sobre a jornada aquela mesma que ele fazia,
feita por outros, decerto perseguindo os mesmos horizontes.
Ele não sabia a resposta, não cantava vitória,
seguia na luz daquele dia.
Cada passo sangrava o caminho conquistando territórios
onde só uma labuta seria possível.
Nem vinhas, nem trigo;
nem girassóis, nem milho;
nem abelhas, nem papoulas;
nem criação de ovelhas, nem de cabritos;
nem construção de santuários, nem de guaritas.
A única faina seria a daquele dia:
seguir, segundo a instrução recebida,
sem perda de tempo,
atravessando o vale,
assobiando,
se possível.
A lendária ruína já se avistava de perto
quando o andante perdeu o passo
e deu de cara com um diamante.

2 comentários:

Ana Paula disse...

Como não se encantar com tamanha sensibilidade. Encontrar um tesouro através da poesia, é uma festa, ainda mais quando o espírito que se faz presente em "essaspalavras" transcende a esfera do corpo e abraça o mundo. Viva a poesia.

Eurico disse...

Tua primeira comentarista não tem perfil público. Que pena, amigo...